O último fim de semana foi atípico... Não deveria suscitar tantos questionamentos, mas acho que ainda não me encontro fortalecida o suficiente para encarar as inevitáveis perdas da vida. Somos doutrinados a conquistar sempre mais, preparamo-nos para ganhar, buscamos o aprendizado como meio para alcançar bens e posições... E apenas pensamos nas perdas quando elas já sucederam, temos que lidar com elas à força. Portanto, os danos das perdas irreversíveis são profundos, difíceis de superar. Tenho receio, receio de algumas perdas inevitáveis; em sendo inevitáveis, muito mais do 'Quando' elas ocorrerão...
Será que há alguma forma de preparação para tais perdas? Penso que, quanto mais refletimos sobre elas e tentamos nos precaver, mais antecipamos sua dor, suas angústias... Assim, até mesmo uma simples decisão pode ser penosa, já que escolhas implicam quase sempre em abrir mão de algo. Esse é o dilema dos indecisos, a consciência da perda... Talvez, para os indecisos, as perdas inevitáveis sejam até menos dolorosas - afinal, não dependiam de suas escolhas... As perdas inevitáveis, se improrrogáveis, podem mesmo ser de aceitação um tanto mais suave. Conformar-se é tanto mais complicado quanto maior é a convicção de que a perda poderia ter sido evitada, ou adiada. A cobrança das hipóteses é feroz, apesar de muitas vezes ilógica.
Os que recorrem à fé para superar suas perdas têm a sorte de atribuir o peso da responsabilidade a algo superior, a uma vontade independente da sua, a algo mais forte e incontrolável. Compreendo, admiro tais esperanças. Não sei com que intensidade as tenho, contudo. Apenas sei que muitos de meus insucessos e frustrações foram seguidos de ganhos improváveis, inimagináveis, que o controle do meu destino é sempre mais limitado do que calculava. Até o momento, essa é a única forma que conheço de lidar com as perdas: aceitar, e esperar os ganhos por vir.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Colhendo Clarice
Semana passada, uma amiga adicionou novo aplicativo no 'caralivro'...
Que continue colhendo...
Flores de Clarice Lispector
Colhendo Clarice
Juliana colheu uma flor
Deu vontade de escrever, não pela rotina de me ser, mas pela não-rotina de me ser... Viver simbolicamente através das palavras, com todas as flores e os espinhos que a vida traz...
Eu-emoção, eu-sentimento... É o que caracteriza cada um em sua individualidade, já que a razão respeita a lógica, finda por uniformizar o pensamento...
Dói, eventualmente, sempre...
Que continue colhendo...
Flores de Clarice Lispector
Colhendo Clarice
Juliana colheu uma flor
"Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."
Deu vontade de escrever, não pela rotina de me ser, mas pela não-rotina de me ser... Viver simbolicamente através das palavras, com todas as flores e os espinhos que a vida traz...
"Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase ´se eu fosse eu´, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR."
Eu-emoção, eu-sentimento... É o que caracteriza cada um em sua individualidade, já que a razão respeita a lógica, finda por uniformizar o pensamento...
"Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Dói, eventualmente, sempre...
terça-feira, 20 de julho de 2010
Barulhos sem inspiração
Muito tempo sem escrever, vim fazer um barulhinho pra não perder o hábito. Ainda meio sem inspiração, na verdade... Escrever por escrever, sem propósito algum, faz sentido?
INSPIRAÇÃO
Se a inspiração pode vir de qualquer coisa, do cotidiano ou do extraordinário, do feio ou do bonito, da plenitude ou do vazio... De onde virá a falta de inspiração? Não ter absolutamente nada a dizer, nada a acrescentar ao que já foi dito... Pode ser decorrente de uma sensação momentânea de satisfação... Mas daí, da satisfação, poderia vir a inspiração também, ou não? Será que a falta de inspiração também pode nascer de qualquer coisa? Bem, até a falta de inspiração pode servir como inspiração, acabo de perceber...
QUALQUER COISA
É, esse papo já tá qualquer coisa! Devo ter tomado muito cafezinho no trabalho, deve ser a única substância entorpecente por aqui. Falando em vícios, a abstinência musical começa a rondar... Meu raidinho (sic) tem tocado as mesmas músicas, minha curiosidade musical adormeceu. Já está despertando, no entanto; muito agradeceria receber dicas e amostras de novos sons. Qualquer coisa.
FIG 2010
Se estivesse em Pernambuco, certamente estaria em Garanhuns, no Festival de Inverno. Esse ano haverá show de Paulinho da Viola, estaria lá e noutros mais... Fez-me lembrar de Paulinho no Reveillón de Boa Viagem, perfeição...
VELHAS NOVAS
Concluo com as novas, pra imprimir alguma utilidade ao texto. Os amigos ficarão contentes em saber que a casa está enfim organizada, os objetivos profissionais estão traçados, tudo aparentemente nos eixos. A casa está uma delícia: rede na varanda, travesseiros macios, equipamentos que me trazem comodidade, cores e flores. Quanto aos objetivos profissionais, esses exigem estudo e dedicação; a trajetória será despretensiosamente iniciada em agosto, com o início do cursinho. Receitas para deixar a preguicinha de lado também serão bem vindas.
No mais, as velhas saudades dos queridos distantes...
Aos amigos de Recife: devo passar por aí em agosto, outubro e dezembro. Quatro casamentos, espero que nenhum funeral... Maceió também entrou no roteiro, melhor pra mim. Mas a programação mais esperada é a de Recife, e a de Olinda. Quero comer uma tapioca na Sé, tomar um caldinho na praia, rever Ed, Mari, Lu e Anny, além dos amigos da SAD... Ah, quero comer uma coxinha de caranguejo no Boteco!
BARULHO DO RAIDINHO

Amigo do Tempo, Mombojó.
Novos barulhos, ainda estou experimentando... Talvez prefira o primeiro álbum mesmo...
INSPIRAÇÃO
Se a inspiração pode vir de qualquer coisa, do cotidiano ou do extraordinário, do feio ou do bonito, da plenitude ou do vazio... De onde virá a falta de inspiração? Não ter absolutamente nada a dizer, nada a acrescentar ao que já foi dito... Pode ser decorrente de uma sensação momentânea de satisfação... Mas daí, da satisfação, poderia vir a inspiração também, ou não? Será que a falta de inspiração também pode nascer de qualquer coisa? Bem, até a falta de inspiração pode servir como inspiração, acabo de perceber...
QUALQUER COISA
É, esse papo já tá qualquer coisa! Devo ter tomado muito cafezinho no trabalho, deve ser a única substância entorpecente por aqui. Falando em vícios, a abstinência musical começa a rondar... Meu raidinho (sic) tem tocado as mesmas músicas, minha curiosidade musical adormeceu. Já está despertando, no entanto; muito agradeceria receber dicas e amostras de novos sons. Qualquer coisa.
FIG 2010
Se estivesse em Pernambuco, certamente estaria em Garanhuns, no Festival de Inverno. Esse ano haverá show de Paulinho da Viola, estaria lá e noutros mais... Fez-me lembrar de Paulinho no Reveillón de Boa Viagem, perfeição...
VELHAS NOVAS
Concluo com as novas, pra imprimir alguma utilidade ao texto. Os amigos ficarão contentes em saber que a casa está enfim organizada, os objetivos profissionais estão traçados, tudo aparentemente nos eixos. A casa está uma delícia: rede na varanda, travesseiros macios, equipamentos que me trazem comodidade, cores e flores. Quanto aos objetivos profissionais, esses exigem estudo e dedicação; a trajetória será despretensiosamente iniciada em agosto, com o início do cursinho. Receitas para deixar a preguicinha de lado também serão bem vindas.
No mais, as velhas saudades dos queridos distantes...
Aos amigos de Recife: devo passar por aí em agosto, outubro e dezembro. Quatro casamentos, espero que nenhum funeral... Maceió também entrou no roteiro, melhor pra mim. Mas a programação mais esperada é a de Recife, e a de Olinda. Quero comer uma tapioca na Sé, tomar um caldinho na praia, rever Ed, Mari, Lu e Anny, além dos amigos da SAD... Ah, quero comer uma coxinha de caranguejo no Boteco!
BARULHO DO RAIDINHO
Amigo do Tempo, Mombojó.
Novos barulhos, ainda estou experimentando... Talvez prefira o primeiro álbum mesmo...
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Carta a um amigo
xxx,
ou
Meu Caro Amigo,
Escrevo para dizer que está tudo bem, afora as saudades que sinto. Isso mesmo, sem detalhes, a ambiguidade convém. Por aqui, tudo como dantes, tudo morno. Em meio à monotonia, resolvi voltar a ler, mas leitura útil. Tenho buscado uma bibliografia que me permita jogar, lançar os dados, já que a sorte deve andar neste campo. Aproveito o recente espírito misantropo para buscar o conhecimento. Quanto ao auto-conhecimento, acho que a brecha exposta ainda não oferece à vista o alcance do que se passa do outro lado, na outra sala, do lado de dentro. Por ora, talvez seja melhor assim.
Queria notícias suas, saber o que sente. Não por curiosidade, ou por interesse em compartilhar ou interferir. Seria distração, ocupar-me de coisas mais tatéis, menos fugidias. Bem, não é certo que seus sentimentos seriam mais concretos que os meus, quiçá seja melhor permanecer alheia. Falemos então de coisas vãs, que consumam o tempo e alegrem a alma. Ah, mas a distância impede o diálogo... Continuo o monólogo, simples e fraco, com o pensamento nas coisas ordinárias e descomplicadas. O clima hoje, o horário da partida, o encontro de amanhã, o próximo livro, assim prosseguindo. Mas, que pena, o pensamento é tão volátil, voou para acontecimentos passados, momentos estanques na memória. Ao menos, momentos felizes, únicos e verdadeiros. Passados - não, não desejosos de se fazerem presentes, como possa você imaginar. A imaginação, assim como o pensamento, criam e se deslocam sem que os possamos agarrar, desafiando a razão, valsando com as emoções num bailar veloz e poligâmico. Que a imaginação flerte com os sentimentos e emoções em hora oportuna, e caso seu balé nos leve ao equívoco, não será mais que seu movimento cotidiano, não os culpemos.
Amigo, prolongo-me, perdão. Poderia apenas ter dito que está tudo bem. Seria sincera, mas poderias não compreender, o dito é limitado. Divagando expresso mais; se o confundo, apenas transmito minha própria confusão. Alegrar-me-ia uma resposta, seria mais uma distração. Quando novas houver, logo as saberá.
Com amor, um amor sempre sincero e inexato.
DDC.
ou
Meu Caro Amigo,
Escrevo para dizer que está tudo bem, afora as saudades que sinto. Isso mesmo, sem detalhes, a ambiguidade convém. Por aqui, tudo como dantes, tudo morno. Em meio à monotonia, resolvi voltar a ler, mas leitura útil. Tenho buscado uma bibliografia que me permita jogar, lançar os dados, já que a sorte deve andar neste campo. Aproveito o recente espírito misantropo para buscar o conhecimento. Quanto ao auto-conhecimento, acho que a brecha exposta ainda não oferece à vista o alcance do que se passa do outro lado, na outra sala, do lado de dentro. Por ora, talvez seja melhor assim.
Queria notícias suas, saber o que sente. Não por curiosidade, ou por interesse em compartilhar ou interferir. Seria distração, ocupar-me de coisas mais tatéis, menos fugidias. Bem, não é certo que seus sentimentos seriam mais concretos que os meus, quiçá seja melhor permanecer alheia. Falemos então de coisas vãs, que consumam o tempo e alegrem a alma. Ah, mas a distância impede o diálogo... Continuo o monólogo, simples e fraco, com o pensamento nas coisas ordinárias e descomplicadas. O clima hoje, o horário da partida, o encontro de amanhã, o próximo livro, assim prosseguindo. Mas, que pena, o pensamento é tão volátil, voou para acontecimentos passados, momentos estanques na memória. Ao menos, momentos felizes, únicos e verdadeiros. Passados - não, não desejosos de se fazerem presentes, como possa você imaginar. A imaginação, assim como o pensamento, criam e se deslocam sem que os possamos agarrar, desafiando a razão, valsando com as emoções num bailar veloz e poligâmico. Que a imaginação flerte com os sentimentos e emoções em hora oportuna, e caso seu balé nos leve ao equívoco, não será mais que seu movimento cotidiano, não os culpemos.
Amigo, prolongo-me, perdão. Poderia apenas ter dito que está tudo bem. Seria sincera, mas poderias não compreender, o dito é limitado. Divagando expresso mais; se o confundo, apenas transmito minha própria confusão. Alegrar-me-ia uma resposta, seria mais uma distração. Quando novas houver, logo as saberá.
Com amor, um amor sempre sincero e inexato.
DDC.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Cicatrizes
"Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal..."
*Composição: Miltinho / Paulo César Pinheiro
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Mutante
Após visita ao Itamaraty, a obra entitulada 'transfiguração' inspirou-me a novas mudanças. Bem, o último ano foi de grandes transformações, intrínsecas. Talvez, a indecisão quanto ao design do bloguinho reflita esse estado inconstante.
Espero que a metamorfose seja tal qual a das borboletas, que algo belo e leve seja o resultado.
Barulhinho do raidinho: Apesar do tema da canção não ser bem o assunto de que trato aqui, a coincidência dos títulos das obras veio à mente instantaneamente.
Espero que a metamorfose seja tal qual a das borboletas, que algo belo e leve seja o resultado.
Barulhinho do raidinho: Apesar do tema da canção não ser bem o assunto de que trato aqui, a coincidência dos títulos das obras veio à mente instantaneamente.
Transfiguração
Cordel Do Fogo Encantado
Composição: Lirinha
A paixão é um mar
Parabólica
Dilatada
Estrada que dói
Encanto de flor
Labirinto
Espera de redes
Parece toda raiz
Só raiz
Quando não canta o trovão
Transfiguração
Com a sua pele sagrada
A sua boca sagrada
E a sua vida no chão
Volta que esse mundo só precisa de você
Volta outro homem nunca assim vai te chamar
Não fique ai enterrada
Não fique ai enterrada
Vem pra rua
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Vontade de escrever
Mais uma tarde ociosa. Fico pensativa, divagando sobre os mais variados tópicos, enquanto tomo uns goles de café e como os restos da última reunião...
Pensei sobre o apartamento. Hoje, chegaram os últimos móveis, os vindos de Recife. Finalmente, sinto-me em um lar. Tudo com meu jeitinho, simples e aconchegante.
Pensei sobre o final de semana, sobre o próximo jogo do Brasil... Não pensei muito a esse respeito, mas acho que será divertido.
Pensei sobre armários, pra guardar a recém chegada tralha. Tenho que arrumar um tempo pra procurar algo essa semana.
Pensei nas visitas que virão depois de amanhã, em como melhor acomodar todos em casa.
Pensei no matuto, meu querido matuto de Recife, e na matuta de São Paulo, e nas saudades que sinto de nossas conversas. Queria que eles estivessem aqui, ou ao menos online.
Pensei na sorte que tive aqui em Brasília, em como tudo está dando certo. Fico feliz, e conservo esperanças.
Pensei que tenho que voltar a estudar, o que poderia estar fazendo agora mesmo. Mas ainda reuno coragem...
Em meio a essas anotações mentais, pensei no quanto desejo escrever hoje. Terceiro post do dia; que venham mais...
Pensei sobre o apartamento. Hoje, chegaram os últimos móveis, os vindos de Recife. Finalmente, sinto-me em um lar. Tudo com meu jeitinho, simples e aconchegante.
Pensei sobre o final de semana, sobre o próximo jogo do Brasil... Não pensei muito a esse respeito, mas acho que será divertido.
Pensei sobre armários, pra guardar a recém chegada tralha. Tenho que arrumar um tempo pra procurar algo essa semana.
Pensei nas visitas que virão depois de amanhã, em como melhor acomodar todos em casa.
Pensei no matuto, meu querido matuto de Recife, e na matuta de São Paulo, e nas saudades que sinto de nossas conversas. Queria que eles estivessem aqui, ou ao menos online.
Pensei na sorte que tive aqui em Brasília, em como tudo está dando certo. Fico feliz, e conservo esperanças.
Pensei que tenho que voltar a estudar, o que poderia estar fazendo agora mesmo. Mas ainda reuno coragem...
Em meio a essas anotações mentais, pensei no quanto desejo escrever hoje. Terceiro post do dia; que venham mais...
Mandingas e Simpatias
Inspirada nas comemorações juninas, refletia sobre os costumes populares voltados a Santo Antônio, e talvez a outros santos que desconheça. Não recordo ter feito nenhuma simpatia antes, mas penso que deveria. Minha origem implica em ouvir diversos relatos sobre como as torturas ao santo (...levado a férias siberianas...) ou ao menino (...arrancado dos braços de Tonho...) surtiria efeitos surpreendentes sobre o destino do torturador. Na verdade, geralmente, torturadorA. Enfim, sempre relutei em aderir a tais atos - com um tanto de hipocrisia em meu discurso, confesso. Acho que, se acreditasse nos resultados das mandingas e simpatias, não relutaria. Isso porque o tempo passa, passa, e a consciência do "antes só..." permanece. Dizem que sou muito exigente; prefiro afirmar que sou criteriosa.
Seria ótimo ter vivido em décadas passadas, quando as mulheres eram cortejadas. Não pretendo ser machista, apenas um pouco romântica. Aliás, minha personalidade reúne traços românticos e realistas ao mesmo tempo, o que reforça o "antes só...". Por vezes, até aprecio o "antes só..." - mas nem sempre... Eventos como o 12 de junho são um tanto desagradáveis, sim. Sem falar nos constantes programas segura-vela, que se tornam mais frequentes a medida em que os anos passam. O tempo não age a favor, nesse aspecto. Por outro lado, prezar minha independência reforça meu lado realista, daí que prefiro não arriscar, por ora.
Sem simpatias, mandingas ou afins, veremos o que o futuro me reserva...
Som do raidinho: "Que falta me faz um xodó..." Rsrsrs... ;)
Seria ótimo ter vivido em décadas passadas, quando as mulheres eram cortejadas. Não pretendo ser machista, apenas um pouco romântica. Aliás, minha personalidade reúne traços românticos e realistas ao mesmo tempo, o que reforça o "antes só...". Por vezes, até aprecio o "antes só..." - mas nem sempre... Eventos como o 12 de junho são um tanto desagradáveis, sim. Sem falar nos constantes programas segura-vela, que se tornam mais frequentes a medida em que os anos passam. O tempo não age a favor, nesse aspecto. Por outro lado, prezar minha independência reforça meu lado realista, daí que prefiro não arriscar, por ora.
Sem simpatias, mandingas ou afins, veremos o que o futuro me reserva...
Som do raidinho: "Que falta me faz um xodó..." Rsrsrs... ;)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Eu apenas queria que você soubesse...
Voltando a falar de música...
Tenho lembrado frequentemente das canções de um dos meus compositores preferidos. A fala direta, objetiva, sensível e emocionada, os sons brasileiros, ora alegres ora ressentidos, tudo me (en)canta a alma. Ele canta o meu canto...
O retrato do Brasil, Brasil com a perna no mundo, ou seu cortante comportamento geral, com o qual me identifico vez ou outra - dura realidade, a de nosso país. Por outro lado, sinto esperança e coragem ao ouvir é, ou o questionamento constantemente vivo em o que é o que é. Nossos "Brasis", na tristeza, ou em festa e alegria como em o homem falou...
Do retrato social para o pessoal, nada fora do contexto. Amo a forma como desabafa seus sentimentos, como grita e se expõe em canções como começaria tudo outra vez, explode coração e sangrando. Também me fascina a inusitada compreensão de que homens e mulheres buscam respeito e amor, sem exclusividade de gêneros, quando comparo as letras de ponto de interrogação e um homem também chora...
Em tantas outras palavras lindas, em seu recado consciente, consistente, que nunca canso de ouvir... Ah, enfim, e por fim, na apaziguadora mensagem, no acalanto de diga lá, coração, quase um cafuné aos ouvidos da morena... Quisera reproduzir uma a uma as letras de que mais gosto aqui, mas melhor é reproduzir em sons, sempre.
Tenho lembrado frequentemente das canções de um dos meus compositores preferidos. A fala direta, objetiva, sensível e emocionada, os sons brasileiros, ora alegres ora ressentidos, tudo me (en)canta a alma. Ele canta o meu canto...
"Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé"
O retrato do Brasil, Brasil com a perna no mundo, ou seu cortante comportamento geral, com o qual me identifico vez ou outra - dura realidade, a de nosso país. Por outro lado, sinto esperança e coragem ao ouvir é, ou o questionamento constantemente vivo em o que é o que é. Nossos "Brasis", na tristeza, ou em festa e alegria como em o homem falou...
Do retrato social para o pessoal, nada fora do contexto. Amo a forma como desabafa seus sentimentos, como grita e se expõe em canções como começaria tudo outra vez, explode coração e sangrando. Também me fascina a inusitada compreensão de que homens e mulheres buscam respeito e amor, sem exclusividade de gêneros, quando comparo as letras de ponto de interrogação e um homem também chora...
Em tantas outras palavras lindas, em seu recado consciente, consistente, que nunca canso de ouvir... Ah, enfim, e por fim, na apaziguadora mensagem, no acalanto de diga lá, coração, quase um cafuné aos ouvidos da morena... Quisera reproduzir uma a uma as letras de que mais gosto aqui, mas melhor é reproduzir em sons, sempre.
Resiliência
"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero..."
Mas a vida ainda me reserva muitos caminhos por trilhar.
"Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo..."
Mas o choque cada vez passa mais rápido.
"Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me..."
E aprendi, aprendi o significado de resiliência.
*Fernando Pessoa, Poesias de Álvaro de Campos.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Tudo novo de novo
"."
Capítulo Maputo terminado, e eu novamente em Brasília. Tudo novo, novíssimo. Deu certo quando tinha que dar: o apartamento, os fiadores, a mudança ainda em curso. Tudo exatamente como eu queria, simples e confortável. E o apartamento é, de verdade, um apartamento, e não mais uma das pavorosas kits de Brasília. Até rede na varanda vou ter... Numa quadra excelente, sem congestionamentos em meu caminho, e com serviços facilmente acessíveis!
Já estou com a cozinha montada: geladeira, fogão e máquina de lavar roupas. Meu sonho de consumo, uma máquina de lavar roupas! Após 7 meses sofrendo com lavanderia, enfim uma máquina de lavar roupas... Os móveis de Recife já estão a caminho, o guarda-roupas será montado neste sábado, e outros móveis chegarão na terça-feira próxima. Enquanto isso, ainda corro de casa em casa, desfrutando da hospitalidade de amigos queridos.
Na próxima semana, também, receberei visitas, as primeiras no meu novo lar! Meus pais vêm, muitas saudades deles... E mais um casal de amigos, haja colchão! Estou feliz, vou receber pessoas em MEU APARTAMENTO, que eu mesma montei e mantenho. É um novo passo, como se apenas agora me sentisse dona do meu nariz, em termos... Ainda não é a casa própria, mas considerando a carreira que sigo e a que deverei seguir, isso não é relevante.
Em breve, oferecerei uma "ôpein ráuze" junina!!! Aguardem! ;)
Sugestão da vez: Gonzaguinha, maravilhoso! Eu apenas queria que você soubesse...
(Aliás, boa idéia pra um novo post...)
Vamos começar colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Capítulo Maputo terminado, e eu novamente em Brasília. Tudo novo, novíssimo. Deu certo quando tinha que dar: o apartamento, os fiadores, a mudança ainda em curso. Tudo exatamente como eu queria, simples e confortável. E o apartamento é, de verdade, um apartamento, e não mais uma das pavorosas kits de Brasília. Até rede na varanda vou ter... Numa quadra excelente, sem congestionamentos em meu caminho, e com serviços facilmente acessíveis!
Já estou com a cozinha montada: geladeira, fogão e máquina de lavar roupas. Meu sonho de consumo, uma máquina de lavar roupas! Após 7 meses sofrendo com lavanderia, enfim uma máquina de lavar roupas... Os móveis de Recife já estão a caminho, o guarda-roupas será montado neste sábado, e outros móveis chegarão na terça-feira próxima. Enquanto isso, ainda corro de casa em casa, desfrutando da hospitalidade de amigos queridos.
Na próxima semana, também, receberei visitas, as primeiras no meu novo lar! Meus pais vêm, muitas saudades deles... E mais um casal de amigos, haja colchão! Estou feliz, vou receber pessoas em MEU APARTAMENTO, que eu mesma montei e mantenho. É um novo passo, como se apenas agora me sentisse dona do meu nariz, em termos... Ainda não é a casa própria, mas considerando a carreira que sigo e a que deverei seguir, isso não é relevante.
Em breve, oferecerei uma "ôpein ráuze" junina!!! Aguardem! ;)
Sugestão da vez: Gonzaguinha, maravilhoso! Eu apenas queria que você soubesse...
(Aliás, boa idéia pra um novo post...)
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Ansiedade (cont.)
Hoje é meu último dia em Maputo! Quero muito voltar a Brasília e montar meu apartamento. Daqui a pouco, deixarei a Embaixada e darei a última volta na cidade. À noite, mais despedidas. Amanhã, meu coração estará apertado, certamente, mas feliz!
Decidi hoje (por enquanto) que vou estudar. Ainda tenho certo receio em afirmar que quero estudar para diplomacia. Ainda não sei até onde chegarei nisso. Mas a vontade surgiu e tem crescido, quem sabe se concretiza. Seriam anos de estudo, com certeza. Ainda tenho dúvidas, não seria melhor o MPOG? Muitas coisas passam pela minha cabeça agora, sinto que um novo ciclo irá começar... Até aqui, consegui superar muita coisa, superei alguns limites. A superação está só começando.
Há uma música de Lula Queiroga que diz que a felicidade é higiene mental. Estou de alma lavada!
Decidi hoje (por enquanto) que vou estudar. Ainda tenho certo receio em afirmar que quero estudar para diplomacia. Ainda não sei até onde chegarei nisso. Mas a vontade surgiu e tem crescido, quem sabe se concretiza. Seriam anos de estudo, com certeza. Ainda tenho dúvidas, não seria melhor o MPOG? Muitas coisas passam pela minha cabeça agora, sinto que um novo ciclo irá começar... Até aqui, consegui superar muita coisa, superei alguns limites. A superação está só começando.
Há uma música de Lula Queiroga que diz que a felicidade é higiene mental. Estou de alma lavada!
O Habitat da Felicidade
Lula Queiroga
Composição: Lula Queiroga / Lucky Luciano
Morava numa caverna/ escrevia nas paredes
Morava no mar vermelho/ escrevia numa pedra
Morava num palacete/ escrevia num papiro
Morava numa palafita/ escrevia num bilhete
Morava numa oca/ escrevia com fumaça
Morava num sobrado/ esrevia num caderno
Morava no inferno/ escrevia via fax
Morava num viaduto/ escrevia com sotaque
Morava numa favela/ escrevi uma canção prá ela
Que dizia assim
Felicidade não precisa de culpa
Felicidade é o alívio da dor
Felicidade é higiene mental
Exercício da alma
Só alguém
Que na vida tanto sofreu
Todo tipo de dor
Sabe dar valor
Aos caprichos da felicidade
Felicidade não precisa de culpa
Felicidade é fome de amor
Felicidade é a temperatura
Da febre que eu sinto
Eu sei
Que amanhã pode ser tarde
Prá recuperar
O tempo que eu passo
Sonhando acordado
Com a felicidade
Felicidade não precisa de culpa
terça-feira, 25 de maio de 2010
Ansiedade
s.f. Angústia, aflição, grande inquietude. / Desejo veemente, impaciência, sofreguidão, avidez. / Medicina: Estado psíquico acompanhado de excitação ou de inibição, que comporta uma sensação de constrição da garganta (Aurélio Online, 25/05/2010).
Apenas dois dias para voltar ao Brasil. Sinto uma ansiedade boa, faço projetos, despeço-me das saudades de lá e me preparo para as saudades de cá. A antiga ansiedade, indefinível e indesejável, passou por ora; sinto-me feliz na presença de sua versão normal, cotidiana.
Faço planos: brincar de casinha em minha nova casinha, voltar a estudar se a coragem deixar, costurar, tocar violão. Aprender, viver. Quem sabe, um dia, voltar...
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Maningue nice!
WTF, você deve estar pensando! Explico: maningue é a palavra utilizada por aqui para exprimir intensidade. Nice, a mania de usar termos em inglês, mesmo existindo equivalente em português. Entrei no clima e iniciei meu texto com um belo WTF, portanto.
Moçambique tem suas peculiaridades, claro. Quem diria, a famosa camisinha aqui se chama jeito. Imagino a quantidade de piadas dúbias que isso originaria se fosse no Brasil. Van de transporte alternativo é chapa - não, não é o termo vulgar para certos aparelhos ortodônticos. Mas eu, particularmente, não me arrisco nas chapas: muito aperto e perfume intenso. Além do táxi, tenho a alternativa do tuc tuc, aquele que os indianos pegavam naquela novela global... Na verdade, não há muita opção de transporte público, a gente se vira como pode entre caronas e táxi...
Nas feiras, é preciso paciência. Na feira do pau, inúmeros vendedores buscam atenção dos "amigos brasileiros", alegando que seu artesanato é baratinho - nunca é, se o amigo não barganhar. Enquanto fala-se com um, outros dez estão à volta, tentando chamar atenção. Enchendo o saco mesmo. Ah, outra mania dos moçambicanos é chamar as pessoas de pai e mãe. Estranho, um negão com o dobro da minha idade me chamando de mãe... Enfim, a feira é abarrotada de madeira preta e sândalo, osso e marfim, capulanas e seus derivados, artigos em palha e bijouterias em materiais típicos, tudo estendido em esteiras no chão. Uma boa opção de turismo de compras pra quem é perseverante e paciente.
As capulanas estão por toda parte. Mulheres envoltas em panos coloridos feitos de saias, ou carregando seus bebês com os mesmos tecidos amarrados na frente ou nas costas, como um pequeno embrulho com a cabeça de fora. Comprei dezenas, minha costureira me aguarde.
As prateleiras de supermercados estão cheias de produtos importados, inclusive brasileiros. Há supermercados grandes e bem supridos, mas por vezes falta algo mais nobre, como uma lata de leite condensado que preste. E as bebidas... Ice é spin, a marca da cerveja é Laurentina. Essas não têm faltado.
Maputo está muito bem servida de restaurantes. Camarões são oferecidos em diferentes tamanhos, junto a outros mariscos (aqui, frutos do mar são considerados todos mariscos). Carnes também não faltam, tudo a preços bem convidativos. A moeda local, o metical, pode render bem se a propensão a gastar for baixa. Moradia, por outro lado, é cara. Ainda bem que não me preocupo com isso. Deixo pra me preocupar com meu lazer, muito mais importante. Por exemplo, além dos restaurantes, há casas noturnas - a maioria simples, mas oferecendo boa diversão quando a trupe é maningue nice. Domingo passado, resolvi me arriscar e ir a um show da Marrom no Coconuts bar.
O lugar é bem legal, mas no show... Aperto e calor, graças a Deus não sofremos com perfumes fortes. Mas o aperto e o calor... Casa lotada - afinal, show de brasileiro é evento por aqui! Mais uma confissão no blogue: para mim, as melhores canções que ela cantou foram as de Cartola e Nelson Cavaquinho. Na saída, um sapo gigante, até agora não entendi o porquê...
Brasileiros, há milhares em Moçambique. Missionários, então, nem se fala. Fora isso, a turma da Vale, da Odebrecht, da Camargo... Meus conterrâneos de país são facilmente identificávis, tá na cara. E nossa música é muito apreciada por aqui. Confissão novamente: não busquei muito da música moçambicana, já que tenho ouvido no rádio algo raro, não sei se pop ou brega. Mas fui a um pequeno show muito bacana, com vocalista espanhola (portanto, não sei se posso considerar música moçambicana). Pena que havia aproximadamente dez pessoas no público, contando comigo.
Espero que tenha conseguido resumir um pouco da minha experiência em Moçambique, e das curiosidades que vi nessas terras. Como sempre, muito bom aprender com as diferenças. Fotos serão adicionadas nesse post, em breve!
Moçambique tem suas peculiaridades, claro. Quem diria, a famosa camisinha aqui se chama jeito. Imagino a quantidade de piadas dúbias que isso originaria se fosse no Brasil. Van de transporte alternativo é chapa - não, não é o termo vulgar para certos aparelhos ortodônticos. Mas eu, particularmente, não me arrisco nas chapas: muito aperto e perfume intenso. Além do táxi, tenho a alternativa do tuc tuc, aquele que os indianos pegavam naquela novela global... Na verdade, não há muita opção de transporte público, a gente se vira como pode entre caronas e táxi...
Nas feiras, é preciso paciência. Na feira do pau, inúmeros vendedores buscam atenção dos "amigos brasileiros", alegando que seu artesanato é baratinho - nunca é, se o amigo não barganhar. Enquanto fala-se com um, outros dez estão à volta, tentando chamar atenção. Enchendo o saco mesmo. Ah, outra mania dos moçambicanos é chamar as pessoas de pai e mãe. Estranho, um negão com o dobro da minha idade me chamando de mãe... Enfim, a feira é abarrotada de madeira preta e sândalo, osso e marfim, capulanas e seus derivados, artigos em palha e bijouterias em materiais típicos, tudo estendido em esteiras no chão. Uma boa opção de turismo de compras pra quem é perseverante e paciente.
As capulanas estão por toda parte. Mulheres envoltas em panos coloridos feitos de saias, ou carregando seus bebês com os mesmos tecidos amarrados na frente ou nas costas, como um pequeno embrulho com a cabeça de fora. Comprei dezenas, minha costureira me aguarde.
As prateleiras de supermercados estão cheias de produtos importados, inclusive brasileiros. Há supermercados grandes e bem supridos, mas por vezes falta algo mais nobre, como uma lata de leite condensado que preste. E as bebidas... Ice é spin, a marca da cerveja é Laurentina. Essas não têm faltado.
Maputo está muito bem servida de restaurantes. Camarões são oferecidos em diferentes tamanhos, junto a outros mariscos (aqui, frutos do mar são considerados todos mariscos). Carnes também não faltam, tudo a preços bem convidativos. A moeda local, o metical, pode render bem se a propensão a gastar for baixa. Moradia, por outro lado, é cara. Ainda bem que não me preocupo com isso. Deixo pra me preocupar com meu lazer, muito mais importante. Por exemplo, além dos restaurantes, há casas noturnas - a maioria simples, mas oferecendo boa diversão quando a trupe é maningue nice. Domingo passado, resolvi me arriscar e ir a um show da Marrom no Coconuts bar.
Espero que tenha conseguido resumir um pouco da minha experiência em Moçambique, e das curiosidades que vi nessas terras. Como sempre, muito bom aprender com as diferenças. Fotos serão adicionadas nesse post, em breve!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
O trabalho dignifica...
Quando me preparava para o vestibular, a long time ago, já tinha certeza do curso que desejava fazer. Fiz Turismo, encantei-me com as possibilidades. Mas já no meio do curso, ficaram claras as restrições que o mercado de trabalho impunham, portanto decidi complementar minha formação com o curso de Administração, que deveria proporcionar maior amplitude de possibilidades de inserção profissional. Bem, de lá pra cá, passei pela organização de eventos, por empresa multinacional em vários áreas - como qualidade comercial, marketing, processos -, resolvi fazer um Mestrado em Marketing Internacional, tentei me alocar através de dez mil processos seletivos para Trainees, mas nada deu muito certo. Meus paradigmas me cegavam até então, já que não via como possibilidade de trabalho a administração pública. Sorte minha que a necessidade se sobrepôs à vontade.
Aqui estou eu, trabalhando num Ministério, ganhando a conta pra pagar as contas. Nada mal, considerando minha situação pré-concursística. Confesso que, às vezes, um gostinho um tanto amargo me vem à boca. Seria interessante realizar algo, atuar com propósitos maiores que a confirmação de recebimento de uma mensagem de e-mail. Estudei muito, e nem sempre por gosto, então é natural certa revolta por atender telefones, ouvir solicitações e reclamações descabidas, lidar com pessoas despreparadas, seguir uma rotina burocrática todo santo dia. Por outro lado, de que adiantaria realizar algo, se para isso tivesse que trabalhar de domingo a domingo, sem descanso, abdicando da vida pessoal e ganhando muito menos... Estou satisfeita. Por enquanto. Mas uma coisa é certa: não pretendo sair do setor público, não mesmo.
O estudo não será à toa, há outras provas para cargos ainda melhores. É questão de tempo. Enquanto isso, tenho aproveitado tudo o que este cargo me proporciona, e sinto que sou, sim, privilegiada. Afinal, foi o trabalho que me trouxe a Maputo, o trabalho que me levou ao encontro de pessoas queridas aqui e em Brasília, e me abriu os olhos para o quão longe posso chegar. O processo de mudança foi duro, mas estou aqui, de peito aberto; continuo com força e coragem pra seguir adiante e provar o que a vida tem a me oferecer.
A propósito, escrevo este post do trabalho.
Aqui estou eu, trabalhando num Ministério, ganhando a conta pra pagar as contas. Nada mal, considerando minha situação pré-concursística. Confesso que, às vezes, um gostinho um tanto amargo me vem à boca. Seria interessante realizar algo, atuar com propósitos maiores que a confirmação de recebimento de uma mensagem de e-mail. Estudei muito, e nem sempre por gosto, então é natural certa revolta por atender telefones, ouvir solicitações e reclamações descabidas, lidar com pessoas despreparadas, seguir uma rotina burocrática todo santo dia. Por outro lado, de que adiantaria realizar algo, se para isso tivesse que trabalhar de domingo a domingo, sem descanso, abdicando da vida pessoal e ganhando muito menos... Estou satisfeita. Por enquanto. Mas uma coisa é certa: não pretendo sair do setor público, não mesmo.
O estudo não será à toa, há outras provas para cargos ainda melhores. É questão de tempo. Enquanto isso, tenho aproveitado tudo o que este cargo me proporciona, e sinto que sou, sim, privilegiada. Afinal, foi o trabalho que me trouxe a Maputo, o trabalho que me levou ao encontro de pessoas queridas aqui e em Brasília, e me abriu os olhos para o quão longe posso chegar. O processo de mudança foi duro, mas estou aqui, de peito aberto; continuo com força e coragem pra seguir adiante e provar o que a vida tem a me oferecer.
A propósito, escrevo este post do trabalho.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Para bom entendedor
No fim de semana passado, revi a versão cinematográfica de "Ele não está tão a fim de você". Sempre tenho a mesma sensação quando assisto a esse filme: "Óbvio!" Seria ótimo se conseguíssemos ler o mundo sem envolvimento, claramente, mais ou menos como quando assistimos a um filme.... O que não é possível, nem quando assistimos a um filme.
O menor gesto, qualquer palavra, pode assumir um grande significado. Buscar entedimento complica, dificulta, muitas vezes desnecessariamente. As interpretações desviam-se dos fatos, a depender dos olhos do leitor, dos ouvidos do ouvinte. Uma palavra excede seu sentido, um beijo é minimizado em suas intenções... Ler a vida é difícil mesmo. Para mim, ouvinte em essência, ler é ainda mais complicado. O que quero dizer é que acho que meu código, ou o meio escolhido, ou não sei o quê, diverge dos de outras pessoas. Ouvir é, para mim, sentir. Como então me fazer entender? Paciência; ler o mundo, principalmente ouvir o mundo, é vital para mim.
Fonte: lamartha.wordpress.com
Penso no que ando lendo por aí... Às vezes, Maputo parece a continuação da leitura de um livro antigo. Ou sou eu quem escreve sempre a mesma estória - provável. Acho que ainda tenho que trabalhar alguns capítulos, apesar desta aventura já me ter levado a tantas descobertas e emoções. Sou meio errante, meio nômade. Tentei evitar, mas o destino, a providência divina, o acaso, há algo que me empurra mais e mais, e sempre corro mundo. E me apaixono pelas conquistas, e penso nas próximas. O que falta está por vir em breve, sinto isso.
Este blogue não é uma tentativa de me fazer entender, é mais um teaser. Talvez, o que queira é saber o que as outras pessoas entendem com aquilo que escrevo para, assim, compreender as possíveis reações a minhas ações. Sou curiosa. Pretendo conhecer reações que podem nunca ter passado em minha mente, inclusive as desagradáveis. Apre(e)nder novos significados. Portanto, não divulgo o sítio. Contraditório? Não, quero reações de quem leia (ou ouça), de quem interprete, não de transeuntes ocasionais. Se não houver reação, vale para que eu releia minhas palavras, para reinterpretar meus pensamentos. Aos amigos queridos, que sempre entendem, complementam, contrariam e renovam minhas convicções, faço um apelo: continuem reagindo. E agindo, quero seu som ao pé do ouvido. Saudades transoceânicas.
Por falar em claves de sol...
Som da vez: Volver.
Recomendação: Portal Pernambuco Nação Cultural, com conteúdo em áudio, vídeo e mais.
O menor gesto, qualquer palavra, pode assumir um grande significado. Buscar entedimento complica, dificulta, muitas vezes desnecessariamente. As interpretações desviam-se dos fatos, a depender dos olhos do leitor, dos ouvidos do ouvinte. Uma palavra excede seu sentido, um beijo é minimizado em suas intenções... Ler a vida é difícil mesmo. Para mim, ouvinte em essência, ler é ainda mais complicado. O que quero dizer é que acho que meu código, ou o meio escolhido, ou não sei o quê, diverge dos de outras pessoas. Ouvir é, para mim, sentir. Como então me fazer entender? Paciência; ler o mundo, principalmente ouvir o mundo, é vital para mim.
Fonte: lamartha.wordpress.comPenso no que ando lendo por aí... Às vezes, Maputo parece a continuação da leitura de um livro antigo. Ou sou eu quem escreve sempre a mesma estória - provável. Acho que ainda tenho que trabalhar alguns capítulos, apesar desta aventura já me ter levado a tantas descobertas e emoções. Sou meio errante, meio nômade. Tentei evitar, mas o destino, a providência divina, o acaso, há algo que me empurra mais e mais, e sempre corro mundo. E me apaixono pelas conquistas, e penso nas próximas. O que falta está por vir em breve, sinto isso.
Este blogue não é uma tentativa de me fazer entender, é mais um teaser. Talvez, o que queira é saber o que as outras pessoas entendem com aquilo que escrevo para, assim, compreender as possíveis reações a minhas ações. Sou curiosa. Pretendo conhecer reações que podem nunca ter passado em minha mente, inclusive as desagradáveis. Apre(e)nder novos significados. Portanto, não divulgo o sítio. Contraditório? Não, quero reações de quem leia (ou ouça), de quem interprete, não de transeuntes ocasionais. Se não houver reação, vale para que eu releia minhas palavras, para reinterpretar meus pensamentos. Aos amigos queridos, que sempre entendem, complementam, contrariam e renovam minhas convicções, faço um apelo: continuem reagindo. E agindo, quero seu som ao pé do ouvido. Saudades transoceânicas.
Por falar em claves de sol...
Som da vez: Volver.
Recomendação: Portal Pernambuco Nação Cultural, com conteúdo em áudio, vídeo e mais.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Tique Taque
"E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo"
O tempo é uma obviedade, cantada e escrita por tantos melhores que eu. Cantar o passado, ou o futuro, ou os sentimentos presentes, nada mais óbvio.
Percebi hoje que meu canto diário ignora a linearidade do tempo. O canto como o entendo, como vida. Meu canto diário é intenso, absorve tudo o que é possível ser, é entrega. Mesmo quando relutante, é entrega. Mas o desejo de absorver tudo é tão imenso que o passado e o futuro acompanham meu canto - melodia alegre, por vezes esperançosa e ansiosa, nunca nostálgica. Meu passado é saudades, meu futuro é vontade. Passado, presente e futuro são personificados, povoados pelas pessoas de minha vida, homens e mulheres de minha vida.
"Saudade, o som do tempo que ressoa..."
Não sinto falta de uma máquina do tempo, que me leve a algum momento de meu passado. Bem me agradaria viver outras épocas, mais como parte do desejo de experimentar as diferenças, especificidades de tempos passados. Mas não tenho nostalgias relativas a meu passado. Amo meu presente e a forma como vivo, com meus erros e acertos. Mas sinto sempre saudades, saudades das pessoas. Vivo cada dia desfrutando, e imaginando como as pessoas de minha vida reagiriam se vivessem esses momentos ao meu lado. E quanto mais desejo viver, com a intensidade possível, mas desejo momentos vindouros, mais o futuro se faz presente. Portanto, vivo no presente, no passado e no futuro, doce e amargamente solta no tempo, circular.
No final, dá tudo igual; se o círculo é uma linha, o tempo toma a forma que minha alma quiser...
"Meu tempo é quando."
Sugestão da vez (mais uma vez): Bethânia, em Tempo Tempo Tempo Tempo, e com Lenine em Saudade.
http://www.youtube.com/watch?v=O2P1khIyTX8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=n-OVoNhkVKg&feature=related
Sugestão fora de hora (o passado se fez presente, de forma irresistível): Nelson Cavaquinho, Juízo Final.
http://www.youtube.com/watch?v=rgcTGJQNNe8&feature=related
terça-feira, 27 de abril de 2010
Há vida [noturna] em Maputo
Trouxe livros pra Maputo. Achei que seria um longo período de abstinência etílica, e que a maioria de meus finais de semana seriam dedicados ao estudo da Economia Concursística. Nem foi, nem será. Na verdade, acreditava que seria um tanto improvável fazer amigos de copo por aqui. Ainda bem que me enganei! Em Maputo, há vida. Há noite. Há doses. Há amarula com licor de menta, há drinks surpresa, há rum, vodka, malibu e cerveja, tudo numa noite só. Há música! E há muita coisa ainda por conhecer...
Por ora, conheci um bar chamado Dolce Vitta, bom, bonito e barato. E um 'inferninho' onde rolava reggae e jazz, e talvez mais gêneros que a memória não permita lembrar.
E os concursos vão ficando pra depois... Viver se faz mais importante agora!
Recomendação da vez: Jimi Hendrix Experience. Quer referências? Google it!
E os concursos vão ficando pra depois... Viver se faz mais importante agora!
Recomendação da vez: Jimi Hendrix Experience. Quer referências? Google it!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
O que Narciso acha feio
Há uma coisa que me irrita. Na verdade, não apenas uma, mas esta me ocorreu agora. Acho até que posso ser, em algumas ocasiões, facilmente irritável... Noutras, extremamente paciente. Bem, isso não é relevante no momento. O fato é que me irritam os Narcisos. Principalmente, os velados.
Narciso (1594-1596), por Caravaggio.
Para muitos, aceitar as diferenças é um exercício praticamente impossível - ou, possivelmente, impraticado mesmo. Os Narcisistas explícitos, aqueles que se admiram ao espelho sem pudores e denunciam eles próprios a sua vaidade, não incomodam tanto. Sua presunção é notória, ame-os ou sinta pena. Porém, há pessoas de vida tão vazia que seu maior prazer é a crítica ao outro. O outro, tudo o que não o reflete, tudo o que é diferente. Considero esta uma forma velada de Narcisismo, pois a crítica ao que é distinto implica na aceitação apenas do que é próprio àqueles seres. Cabe esclarecer, não sugiro que tudo deva ser aceito ou admirado. Mas não compreendo aqueles que julgam pelo prazer de julgar, que tecem considerações jocosas, deixando implícito como são perfeitos e belos. Ridículo e irritante.
Não serei hipócrita, por vezes também critiquei e julguei. Mas procuro sempre compreender antes, ver a beleza que há na diferença, em crenças verdadeiras, em estilos de vida distintos do meu. Ridicularizar simplesmente, não me apetece. Qual a graça? Por isso, fujo dos textos de Diogo Mainardi. Também fujo de pessoas de mentalidade preconceituosa, limitada - apesar de saber que todos temos essas características em algum grau, procuro me manter em temperaturas mais amenas. Pessoas pretensamente revolucionárias, rebeldes com tudo que vai além do seu cotidiano, ainda que seu cotidiano seja dinâmico e variado - afinal, o que há de errado com alguma monotonia?
Procuro assimilar o que vejo de positivo nas divergências, no tradicional e no iconoclasta, no feio e na beleza que nele há (pois, frequentemente, há), na fé e em sua ausência, no simples e no complexo, no cotidiano e no extraordinário. Portanto, tento inclusive achar graça de algum leve Nascisismo, velado mas inocente em seus propósitos... Um tanto contraditório, mas possível. Uma pequena dose de Narsicismo é auto-defesa, manutenção da identidade, assume relevância. O que incomoda mesmo é o extremismo, a não aceitação do diverso, principalmente o extremismo encoberto. Para mim, vem à tona, escancarado, cortando olhos e ouvidos.
Narciso (1594-1596), por Caravaggio.Para muitos, aceitar as diferenças é um exercício praticamente impossível - ou, possivelmente, impraticado mesmo. Os Narcisistas explícitos, aqueles que se admiram ao espelho sem pudores e denunciam eles próprios a sua vaidade, não incomodam tanto. Sua presunção é notória, ame-os ou sinta pena. Porém, há pessoas de vida tão vazia que seu maior prazer é a crítica ao outro. O outro, tudo o que não o reflete, tudo o que é diferente. Considero esta uma forma velada de Narcisismo, pois a crítica ao que é distinto implica na aceitação apenas do que é próprio àqueles seres. Cabe esclarecer, não sugiro que tudo deva ser aceito ou admirado. Mas não compreendo aqueles que julgam pelo prazer de julgar, que tecem considerações jocosas, deixando implícito como são perfeitos e belos. Ridículo e irritante.
Não serei hipócrita, por vezes também critiquei e julguei. Mas procuro sempre compreender antes, ver a beleza que há na diferença, em crenças verdadeiras, em estilos de vida distintos do meu. Ridicularizar simplesmente, não me apetece. Qual a graça? Por isso, fujo dos textos de Diogo Mainardi. Também fujo de pessoas de mentalidade preconceituosa, limitada - apesar de saber que todos temos essas características em algum grau, procuro me manter em temperaturas mais amenas. Pessoas pretensamente revolucionárias, rebeldes com tudo que vai além do seu cotidiano, ainda que seu cotidiano seja dinâmico e variado - afinal, o que há de errado com alguma monotonia?
Procuro assimilar o que vejo de positivo nas divergências, no tradicional e no iconoclasta, no feio e na beleza que nele há (pois, frequentemente, há), na fé e em sua ausência, no simples e no complexo, no cotidiano e no extraordinário. Portanto, tento inclusive achar graça de algum leve Nascisismo, velado mas inocente em seus propósitos... Um tanto contraditório, mas possível. Uma pequena dose de Narsicismo é auto-defesa, manutenção da identidade, assume relevância. O que incomoda mesmo é o extremismo, a não aceitação do diverso, principalmente o extremismo encoberto. Para mim, vem à tona, escancarado, cortando olhos e ouvidos.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Notícias do mundo de cá
Mais uma vez, o 'cá' separado do 'lá'. Portanto, novamente, notícias. Boas, muito boas.
Cheguei bem em Maputo, não posso dizer o mesmo da minha câmera digital. Acho que alguém do aeroporto de Johanesburg gostou mais dela que eu. Enfim, ao menos a mala também chegou, com a maioria dos meus bens. Após o contraste entre o aeroporto de Johanesburg e o de Maputo, tentava assimilar tudo o que me aparecia da janela do carro, até a chegada no hotel. Só consegui traduzir após alguns dias: Maputo é uma mistura de Janga e Prazeres... Quem é de Pernambuco talvez entenda o que quero dizer.
Felizmente, estou muito bem instalada num apart, que deve ser o dobro do tamanho da kit onde morava em Brasília. Pena que o apartamento não cabe no avião, penso no trabalho que terei para arrumar moradia assim que voltar...
Mas como a volta será apenas em fins de maio, prossigo o relato. O primeiro fim de semana em Maputo foi agradável, com direito a almoço típico. Serviram-me um creme feito de folhas de mandioca, leite de coco e amendoim, junto a uma moqueca de peixe e um carangueijo gigante. Delícia, pensei na praticidade de degustar um carangueijo sem precisar quebrar minúsculas e estreitas patinhas. Conversei com alguns moçambicanos e brasileiros, pessoas muito agradáveis que fazem parte de uma igreja aqui. A propósito, não imaginava a quantidade de missionários brasileiros nesse país.
Dia seguinte foi dia de trabalho. Dia movimentado na embaixada, reservo-me o direito de não entrar em detalhes... Bem, fui encaminhada ao trabalho consular de assistência a brasileiros, o que me agradou. Afinal, tenho esperanças, quem sabe um dia passo a trabalhar seis horas em Brasília...
Outra grata surpresa decorreu de contatos que uma amiga me passou no país. Inesperadamente, surgiu a oportunidade de conhecer Nelspruit no fim de semana passado, cidade da África do Sul que será sede da Copa do Mundo e fica a umas duas horas de Maputo. Além de conhecer pessoas divertidas e agradáveis, conheci lugares lindos, cavernas e cachoeiras como a da foto abaixo, localizada no Jardim Botânico de Nelspruit.

Aproveitei também pra fazer umas comprinhas e resolver a falta de câmera, já que a South African não respondeu a minha reclamação sobre o furto do equipamento. Portanto, espero continuar a mostrar um pouco da minha experiência do lado de cá. Continuarei com os passeios, as compras de capulanas e artesanato, e quem sabe um pequeno safari...
Aos curiosos: Fotos em http://picasaweb.google.com.br/ddornelasc/Nelspruit?authkey=Gv1sRgCP6sjYnHl4HQZg#
Cheguei bem em Maputo, não posso dizer o mesmo da minha câmera digital. Acho que alguém do aeroporto de Johanesburg gostou mais dela que eu. Enfim, ao menos a mala também chegou, com a maioria dos meus bens. Após o contraste entre o aeroporto de Johanesburg e o de Maputo, tentava assimilar tudo o que me aparecia da janela do carro, até a chegada no hotel. Só consegui traduzir após alguns dias: Maputo é uma mistura de Janga e Prazeres... Quem é de Pernambuco talvez entenda o que quero dizer.
Felizmente, estou muito bem instalada num apart, que deve ser o dobro do tamanho da kit onde morava em Brasília. Pena que o apartamento não cabe no avião, penso no trabalho que terei para arrumar moradia assim que voltar...
Mas como a volta será apenas em fins de maio, prossigo o relato. O primeiro fim de semana em Maputo foi agradável, com direito a almoço típico. Serviram-me um creme feito de folhas de mandioca, leite de coco e amendoim, junto a uma moqueca de peixe e um carangueijo gigante. Delícia, pensei na praticidade de degustar um carangueijo sem precisar quebrar minúsculas e estreitas patinhas. Conversei com alguns moçambicanos e brasileiros, pessoas muito agradáveis que fazem parte de uma igreja aqui. A propósito, não imaginava a quantidade de missionários brasileiros nesse país.
Dia seguinte foi dia de trabalho. Dia movimentado na embaixada, reservo-me o direito de não entrar em detalhes... Bem, fui encaminhada ao trabalho consular de assistência a brasileiros, o que me agradou. Afinal, tenho esperanças, quem sabe um dia passo a trabalhar seis horas em Brasília...
Outra grata surpresa decorreu de contatos que uma amiga me passou no país. Inesperadamente, surgiu a oportunidade de conhecer Nelspruit no fim de semana passado, cidade da África do Sul que será sede da Copa do Mundo e fica a umas duas horas de Maputo. Além de conhecer pessoas divertidas e agradáveis, conheci lugares lindos, cavernas e cachoeiras como a da foto abaixo, localizada no Jardim Botânico de Nelspruit.
Aproveitei também pra fazer umas comprinhas e resolver a falta de câmera, já que a South African não respondeu a minha reclamação sobre o furto do equipamento. Portanto, espero continuar a mostrar um pouco da minha experiência do lado de cá. Continuarei com os passeios, as compras de capulanas e artesanato, e quem sabe um pequeno safari...
Aos curiosos: Fotos em http://picasaweb.google.com.br/ddornelasc/Nelspruit?authkey=Gv1sRgCP6sjYnHl4HQZg#
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Matuto em Maputo
Vou danada pra... Maputo, com vontade de chegar...
Fonte: www.henrytrotter.com.
Pois é, aguardei e a viagem saiu. O desafio, encarado com positividade, é presságio de que o amargor de tempos atrás passou. O que sei sobre Maputo não é tanto; li uns guias, vi umas fotos, busquei referências. Pois a moça agora vai a Moçambique, continuar vivendo - e aprendendo - tanto...
Serão 45 dias, contados a partir da próxima segunda-feira, 12 de abril de 2010. Chegarei em Maputo no sábado anterior, e terei tempo suficiente para descansar e sentir os ares da cidade, antes de me apresentar à labuta. Continuo me sentindo como uma matuta no mundo, que se maravilha de coisas ordinárias e sempre tenciona voltar ao lar. O curioso é como o lar se revela por onde passo: vi fotos de Maputo e me lembrei de terras antes navegadas, Nordestes com cheiro de maresia, interiores e suas casas antigas, gente simples nas ruas... Vamos ver se as impressões prévias se confirmarão.
Os próximos posts serão de lá, com as notícias do lado de lá, mais uma vez... Espero que sejam gratas notícias!
Sugestão do dia: Vou danado pra Catende, Ascenso Ferreira (o que me lembra outro matuto)...
http://www.fundaj.gov.br/docs/asce/asce2.html
Fonte: www.henrytrotter.com.Pois é, aguardei e a viagem saiu. O desafio, encarado com positividade, é presságio de que o amargor de tempos atrás passou. O que sei sobre Maputo não é tanto; li uns guias, vi umas fotos, busquei referências. Pois a moça agora vai a Moçambique, continuar vivendo - e aprendendo - tanto...
Serão 45 dias, contados a partir da próxima segunda-feira, 12 de abril de 2010. Chegarei em Maputo no sábado anterior, e terei tempo suficiente para descansar e sentir os ares da cidade, antes de me apresentar à labuta. Continuo me sentindo como uma matuta no mundo, que se maravilha de coisas ordinárias e sempre tenciona voltar ao lar. O curioso é como o lar se revela por onde passo: vi fotos de Maputo e me lembrei de terras antes navegadas, Nordestes com cheiro de maresia, interiores e suas casas antigas, gente simples nas ruas... Vamos ver se as impressões prévias se confirmarão.
Os próximos posts serão de lá, com as notícias do lado de lá, mais uma vez... Espero que sejam gratas notícias!
Sugestão do dia: Vou danado pra Catende, Ascenso Ferreira (o que me lembra outro matuto)...
http://www.fundaj.gov.br/docs/asce/asce2.html
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Dia da Verdade
1° de Abril, dia da mentira. E que diferença faz? Deviam instituir o dia da verdade. Imaginem, pânico absoluto! Caos formado. É até difícil sustentar uma mentira, mas manter a palavra e comprometer-se com a verdade... Raro atualmente. Nobre, até. Pouco diplomático, talvez. Pouco inteligente, quem sabe. Porém, não seria preferível ser taxado de burro a se desalinhar com sua consciência e seus valores?
Não condeno definitivamente a mentira. Não há verdades ou mentiras absolutas. Mas acredito que devem haver ao menos questionamentos éticos, ou limites para ambas. Ambas tem igual potencial destrutivo - mas como saber dosar seu uso?...
Sugestão do dia: Na Verdade, Suvaca DiPrata.
Não condeno definitivamente a mentira. Não há verdades ou mentiras absolutas. Mas acredito que devem haver ao menos questionamentos éticos, ou limites para ambas. Ambas tem igual potencial destrutivo - mas como saber dosar seu uso?...
Sugestão do dia: Na Verdade, Suvaca DiPrata.
A verdade não vem gritando nem faz alarde
Não está à venda em seis vezes sem entrada
A verdade não é a grande novidade
Não vende marcas de cigarro nem bebida
Nem vai abrir em alta na Dow Jones ou Nasdaq
A verdade não está na capa da Playboy
Nos relatórios do MI7 ou da CIA
A verdade não toca no rádio
Não se ouve melhor num sistema de som 5.1
Nem roda bem na versão XP
A verdade não estréia em breve
Num cinema perto de você
A verdade sussurra em seus ouvidos no silêncio
Sem aviso prévio
É indivisível, arcana, natural e sem açúcar
Toca o coração e o espírito
Envelhece com dignidade e com celulite
Trabalha duro das 9h às 19h
E ganha dois salários por mês
A verdade é transmissível pelo beijo
Simples, funciona até em mono
Escaneada dia e noite nos horizontes dos homens
sexta-feira, 26 de março de 2010
'Quando falta poesia'...
...ou 'Quando se precisa de colo'...
...ou 'Quando o cansaço toma conta'.
A última semana passou lentamente. Muito lentamente. Planos estagnados, desacertos e desencontros. Sabia, sim, que as indefinições eram passageiras, e que logo tudo seria resolvido. O desgaste, porém, foi inevitável - não por desesperança, mas pela recorrência de acontecimentos desagradáveis.
Nesses momentos, as saudades retornam com intensidade, com voracidade, engolem-nos sem chances de fuga. Senti falta de colo, de cafuné, de compreensão. É normal, todos sentem eventualmente. Uns mais que outros. Minha necessidade de afeto, de afeto verdadeiro, é latente. Sua ausência se faz notar em meu humor, meu comportamento. Em tempo: não me sinto desamada, em momento algum. Sinto-me privilegiada, na verdade; tenho amizades sólidas, amores para toda a vida. Mas a vida reserva-nos encontros e desencontros... Transportei-me para novo ambiente, e venho construindo novos laços, novos encontros maravilhosos.... Mas alguns nós nunca irão desatar. Assim, não falo de desamor, mas de um nó esticado, estrangulado. É falta de colos específicos, do entendimento pelo olhar, do toque que alivia a angústia. Falta de poesia, de sentimento puro. Sentimento puro, corrente. De entendimento, de assimilação por intuição, por emoção. Falta de poesia, de lirismo.
Em meio às decepções, recebi alento de palavras doces - e até mesmo de versos amargos, mas que encheram meu coração de ternura e memórias doces. Palavras de tantos poetas na voz de Maricotinha, que sempre me emociona... Hoje, começo a colocar os planos em execução, e renovo as esperanças de conquistar antigos desejos num futuro próximo.
Assimilando: Mensagem a um Desconhecido, Cecília Meireles. (Um presente de um querido amigo)...
Fevereiro, 1956.
Resgatando a poesia: Maria Bethânia, recitando no MRE.
http://www.youtube.com/mrebrasil
...ou 'Quando o cansaço toma conta'.
A última semana passou lentamente. Muito lentamente. Planos estagnados, desacertos e desencontros. Sabia, sim, que as indefinições eram passageiras, e que logo tudo seria resolvido. O desgaste, porém, foi inevitável - não por desesperança, mas pela recorrência de acontecimentos desagradáveis.
Nesses momentos, as saudades retornam com intensidade, com voracidade, engolem-nos sem chances de fuga. Senti falta de colo, de cafuné, de compreensão. É normal, todos sentem eventualmente. Uns mais que outros. Minha necessidade de afeto, de afeto verdadeiro, é latente. Sua ausência se faz notar em meu humor, meu comportamento. Em tempo: não me sinto desamada, em momento algum. Sinto-me privilegiada, na verdade; tenho amizades sólidas, amores para toda a vida. Mas a vida reserva-nos encontros e desencontros... Transportei-me para novo ambiente, e venho construindo novos laços, novos encontros maravilhosos.... Mas alguns nós nunca irão desatar. Assim, não falo de desamor, mas de um nó esticado, estrangulado. É falta de colos específicos, do entendimento pelo olhar, do toque que alivia a angústia. Falta de poesia, de sentimento puro. Sentimento puro, corrente. De entendimento, de assimilação por intuição, por emoção. Falta de poesia, de lirismo.
Em meio às decepções, recebi alento de palavras doces - e até mesmo de versos amargos, mas que encheram meu coração de ternura e memórias doces. Palavras de tantos poetas na voz de Maricotinha, que sempre me emociona... Hoje, começo a colocar os planos em execução, e renovo as esperanças de conquistar antigos desejos num futuro próximo.
Assimilando: Mensagem a um Desconhecido, Cecília Meireles. (Um presente de um querido amigo)...
Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.
Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca me tivessem encontrado.
Fevereiro, 1956.
Resgatando a poesia: Maria Bethânia, recitando no MRE.
http://www.youtube.com/mrebrasil
quarta-feira, 17 de março de 2010
Rua dos Bobos, N° Zero
Fonte: Eu.Nunca vivenciei tão intimamente a Teoria do Caos quanto nos últimos dias... Estive ausente do blogue, decorrência das recentes decisões. Decidi ficar em Brasília. Decidi mudar de apartamento. Decidi procurar um novo lar. O suficiente pra desarranjar meu cotidiano... "Todo dia ela faz tudo sempre diferente..." E o vai e vem nem sempre dá certo.
Imaginava que buscar apartamento daria trabalho, mas, novamente, não contava com o 'fator Brasília'. Negociações inexistentes, exigências exageradas, superdemanda que leva à concorrência às avessas. O primeiro apartamento que achei foi reservado por um casal, perdi a oportunidade. O segundo, parecia perfeito, mas a proprietária desistiu do aluguel para investir na compra de imóvel, aparentemente... O terceiro, foi-me recusado por exigências ilógicas. Sei que todos, ou pelo menos a maioria dos que chegam em Brasília, vivenciam essas dificuldades. Mas preciso desabafar, estou exausta. Sinto-me uma tola, implorando diante de poderosos negociadores, que agem como que fazendo um favor para mim. Nunca deixei uma conta por pagar, nunca dei golpe em ninguém, mas não adianta ter referências. Sou culpada, até que um fiador prove o contrário. Não sei como conseguirei achar uma imobiliária que me aceite como eu sou - ou seja, sem amigos ricos na cidade... Imagino que negociar apenas diretamente com proprietários de imóveis torne minhas opções bem restritas, mas talvez seja a única opção...
Resolvi deixar o mercado me levar, e enquanto a oportunidade verdadeiramente perfeita não surge, providenciar uns 'extras' viajando a lugares um tanto inóspitos. Talvez esteja sendo conduzida por um caminho bem mais acertado, mais certo que as linhas que tentava escrever. Em vários momentos de minha vida, aliás, senti que o destino (ou Deus, atribuamos a quem quisermos) seria melhor escritor que eu... Vamos ver se desta vez ele também leva vantagem.
Recomendação do dia: Esquadros, A.C.
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apartamento,
Brasília,
exigências ridículas
quarta-feira, 3 de março de 2010
Breve Estória de um Carnaval (ou Flashes Carnavalísticos)
Relato sucinto das desventuras carnavalísticas deste ano.
Quinta-feira, 11 de fevereiro. Calor. Cansaço e sono. Minha personal costureira atazanou-me para fazermos prova e ajustes das fantasias madrugada adentro.
Sexta-feira, 12 de fevereiro. A casa virou um ateliê. Dia inteiro entre linhas, tecidos, tinta e outros insumos. Meu personal marceneiro (ou seria metalúrgico?) deu-me uma mão. Recolhi os visitantes no aeroporto. Perdemos a hora da folia no Antigo. Distribuí as fantasias e acertamos o 'day after'.
Sábado, 13 de fevereiro. Olinda mandou me chamar. Fui, fomos; cerveja, ice, cerveja, ice... Lembro de frevo, samba, maracatu e afoxé. Lembro do 'Acho é pouco'. Lembro de várias consultas psiquiátricas. Ou seria alfabetização solidária?... Lembro do Snoopy pedindo ração etílica. Lembro da perseguição à menina ruiva. Lembro de R$8, dois latões de skol, um chapéu azul e um club social. Esqueci algo?... Noite. Lenine. Algo de Jorge Ben, quase nada. Bebida, nem pensar... Cansaço, casa, sono revigorante. Esqueci algo mais?...
Domingo, 14 de fevereiro. Olinda é insistente. Fomos. Subimos a Misericórdia. Procuramos o 'Enquanto isso...', não achamos. 13 de maio, aperto. Ouvi cantada equivocada, o dente contestou. O dente foi roubado, e nem deixaram um dólar. Corremos pro 'Quanta...', o 'Quanta...' escancarou. Fome, comida. Vontade de dormir, fugir pra casa. Tomei fôlego. Vi a 'Bomba', me ressucitou (sic). (A propósito, lembro agora do esperto do sic em Olinda, no Sábado)... Do Antigo pra casa, cansaço, sono...
Segunda-feira, 15 de fevereiro. Adivinha? Olinda. Lulu, Bolinha e Aninha. Assalto na prefeitura. Doação solidária de amiga da amiga. Sobe ladeira, desce ladeira. Mais ação solidária, dessa vez de cupido. Duplamente? Noite, Arsenal. No caminho, Gerlane, mais inusitado e belo repertório, lembrei do presunto. Pausa para café monumental. Quinteto, e Antonio. Lindo, ainda mais belo. Fim de festa, casa, cansaço, sono, não necessariamente nesta ordem...
Terça-feira, 16 de fevereiro. Olinda melancólica, prévia da quarta-feira ingrata que sempre chega depressa, só pra contrariar. Melindrosas e cafetão, demasiadamente convincentes. Propostas recusadas. Rei das coxinhas. Novamente, 'Acho é pouco'. Cantada desconcertante. Aperto, desencontro, reencontro; coitado do cafetão. Insucesso nos negócios. (Acho que o personagem não combinava com a proposta empreendedora resgatada do Sábado, ou todos já estavam desmonetarizados)... Noite, Antigo lotado. Muita gente, muito cansaço, muito chuvisco, caipifruta de kisuco rejeitada. Elba boa como sempre, Alceu cantou o de sempre. Chegou a quarta ingrata...
Pós-Cinzas. Entre intoxicação alimentar e concurso público, reflexões registradas no post anterior.
Mais que isso, não lembro... Mais breve que isso, não sei fazer...
Sugestão Carnavalística de 2010: Quinteto Violado.

www.quintetoviolado.com.br
Quinta-feira, 11 de fevereiro. Calor. Cansaço e sono. Minha personal costureira atazanou-me para fazermos prova e ajustes das fantasias madrugada adentro.
Sexta-feira, 12 de fevereiro. A casa virou um ateliê. Dia inteiro entre linhas, tecidos, tinta e outros insumos. Meu personal marceneiro (ou seria metalúrgico?) deu-me uma mão. Recolhi os visitantes no aeroporto. Perdemos a hora da folia no Antigo. Distribuí as fantasias e acertamos o 'day after'.
Sábado, 13 de fevereiro. Olinda mandou me chamar. Fui, fomos; cerveja, ice, cerveja, ice... Lembro de frevo, samba, maracatu e afoxé. Lembro do 'Acho é pouco'. Lembro de várias consultas psiquiátricas. Ou seria alfabetização solidária?... Lembro do Snoopy pedindo ração etílica. Lembro da perseguição à menina ruiva. Lembro de R$8, dois latões de skol, um chapéu azul e um club social. Esqueci algo?... Noite. Lenine. Algo de Jorge Ben, quase nada. Bebida, nem pensar... Cansaço, casa, sono revigorante. Esqueci algo mais?...
Domingo, 14 de fevereiro. Olinda é insistente. Fomos. Subimos a Misericórdia. Procuramos o 'Enquanto isso...', não achamos. 13 de maio, aperto. Ouvi cantada equivocada, o dente contestou. O dente foi roubado, e nem deixaram um dólar. Corremos pro 'Quanta...', o 'Quanta...' escancarou. Fome, comida. Vontade de dormir, fugir pra casa. Tomei fôlego. Vi a 'Bomba', me ressucitou (sic). (A propósito, lembro agora do esperto do sic em Olinda, no Sábado)... Do Antigo pra casa, cansaço, sono...
Segunda-feira, 15 de fevereiro. Adivinha? Olinda. Lulu, Bolinha e Aninha. Assalto na prefeitura. Doação solidária de amiga da amiga. Sobe ladeira, desce ladeira. Mais ação solidária, dessa vez de cupido. Duplamente? Noite, Arsenal. No caminho, Gerlane, mais inusitado e belo repertório, lembrei do presunto. Pausa para café monumental. Quinteto, e Antonio. Lindo, ainda mais belo. Fim de festa, casa, cansaço, sono, não necessariamente nesta ordem...
Terça-feira, 16 de fevereiro. Olinda melancólica, prévia da quarta-feira ingrata que sempre chega depressa, só pra contrariar. Melindrosas e cafetão, demasiadamente convincentes. Propostas recusadas. Rei das coxinhas. Novamente, 'Acho é pouco'. Cantada desconcertante. Aperto, desencontro, reencontro; coitado do cafetão. Insucesso nos negócios. (Acho que o personagem não combinava com a proposta empreendedora resgatada do Sábado, ou todos já estavam desmonetarizados)... Noite, Antigo lotado. Muita gente, muito cansaço, muito chuvisco, caipifruta de kisuco rejeitada. Elba boa como sempre, Alceu cantou o de sempre. Chegou a quarta ingrata...
Pós-Cinzas. Entre intoxicação alimentar e concurso público, reflexões registradas no post anterior.
Mais que isso, não lembro... Mais breve que isso, não sei fazer...
Sugestão Carnavalística de 2010: Quinteto Violado.

www.quintetoviolado.com.br
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Constatações Pós-Carnavalísticas
As cinzas vieram, com tudo o que têm direito. Inclusive a costumeira DPC, a Depressão Pós-Carnaval. Mas o momento não é de tristezas, a DPC já passou. O momento é de reflexão, pois o Carnaval suscitou o questionamento das certezas. Talvez eu tenha absorvido o caos carnavalístico, e a bagunça externa tenha se transformado numa bagunça mental que desordenou meus pensamentos.
Antes de Momo, imaginava que custaria a voltar a Brasília, que escreveria um post nostálgico relatando as curiosidades pré-cinzas, e que contaria os dias para voltar à 'menina dos olhos do mar'. Engano, felizmente. Os pensamentos voltam-se bem mais ao futuro que ao passado, e a projeção do futuro sofreu uma drástica mudança, ao menos no âmbito dos desejos. A ânsia de projetar um futuro em Recife se foi, junto aos blocos nas ladeiras de Olinda... E a alegria ficou, continua presente, e os sonhos se multiplicaram. A identidade permanece lá, as visitas carnavalísticas e noutros festejos especiais não cessarão, mas as possibilidades fora da terra se tornaram mais atraentes de repente. Acho que fui envolvida por alguma entidade pós-moderna, de raízes Pernambucanas que se alastram por caminhos distantes e inesperados...
Quanto ao futuro, apenas caberá entrar em detalhes após (re)elaborar alguns mosaicos mentais. O que já foi dito nesse post já deve causar surpresa (ou estranhamento) suficiente nos mais chegados. Quanto ao passado recente, os dias momescos, muito já foi descrito em outro blog (sugiro procurarem num dos listados em "assimilando...", caso tenham curiosidade). Ainda assim, posso (e quero) dar meu depoimento aqui, minha perspectiva aos amigos interessados. Fica pro próximo post, vamos dar ordem à bagunça.
Sugestão Pós-Carnavalística: Orquestra Popular da Bomba do Hemetério.
Antes de Momo, imaginava que custaria a voltar a Brasília, que escreveria um post nostálgico relatando as curiosidades pré-cinzas, e que contaria os dias para voltar à 'menina dos olhos do mar'. Engano, felizmente. Os pensamentos voltam-se bem mais ao futuro que ao passado, e a projeção do futuro sofreu uma drástica mudança, ao menos no âmbito dos desejos. A ânsia de projetar um futuro em Recife se foi, junto aos blocos nas ladeiras de Olinda... E a alegria ficou, continua presente, e os sonhos se multiplicaram. A identidade permanece lá, as visitas carnavalísticas e noutros festejos especiais não cessarão, mas as possibilidades fora da terra se tornaram mais atraentes de repente. Acho que fui envolvida por alguma entidade pós-moderna, de raízes Pernambucanas que se alastram por caminhos distantes e inesperados...
Quanto ao futuro, apenas caberá entrar em detalhes após (re)elaborar alguns mosaicos mentais. O que já foi dito nesse post já deve causar surpresa (ou estranhamento) suficiente nos mais chegados. Quanto ao passado recente, os dias momescos, muito já foi descrito em outro blog (sugiro procurarem num dos listados em "assimilando...", caso tenham curiosidade). Ainda assim, posso (e quero) dar meu depoimento aqui, minha perspectiva aos amigos interessados. Fica pro próximo post, vamos dar ordem à bagunça.
Sugestão Pós-Carnavalística: Orquestra Popular da Bomba do Hemetério.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
REC-BSB

Imagem: Recife Antigo, do JC ONLINE.
Quem vos fala é uma retirante nordestina. Claro, com alguns privilégios: não vim de pau de arara (se bem que os aviões da Gol não diferem muito de um), nem tenho me dedicado a um trabalho tão extenuante... Mas saí de minha terra em busca de trabalho, como tantos outros conterrâneos. Após frustrar todas as expectativas de emprego na iniciativa privada, resolvi finalmente (e para o alívio de meus pais) "estudar pra concurso". Engraçado os rumos que a vida da gente toma, inesperadamente...
Dedicar-se a tal atividade é algo quase folclórico, na minha modesta opinião. Quem já fez cursinho preparatório certamente observou algumas figuras caricatas, que aparentam permanente ansiedade e proferem um monótono discurso monotemático. Imagino que tenha adquirido traços de concurseiro no breve tempo em que exerci a atividade, mas não tenho instinto para assumir essas características permanentemente. Consegui um emprego público em tempo bem menor que o passado em busca de posição na iniciativa privada, e cheguei à conclusão de que foi uma escolha acertada. Pretendo continuar galgando novos cargos na administração pública, melhor remunerados e com maiores perspectivas... Enquanto isso, aguardo tal oportunidade em novas e estranhas terras.
Até chegar em Brasília, passei uns tempos em São Paulo, Rio e Salvador. Cada cidade tem suas peculiaridades, mas Brasília é um caso à parte. Qual outra cidade nomeia suas ruas com siglas e a divide em setores? A sopa de letrinhas torna-se cômoda após o entendimento da lógica do plano, é uma das coisas que me agradam aqui. O que não evita confusões quando preciso informar meu endereço a alguém que desconhece a cidade... E os setores, esses são extremamente interessantes... Após descobrir que existe um Setor de Áreas Isoladas, nada mais surpreende. Brasília também me agrada por suas vias largas (apesar de barbeiros e pardais), seu céu amplo, pela diversidade das pessoas (tantos outros retirantes, nordestinos ou não). Como qualquer outra cidade, tem suas vantagens e desvantagens... Já me perdi diversas vezes nas tesourinhas e nas quadras residenciais sem saída... Mas gosto daqui, especialmente da vista do trabalho, que apesar de esconder tanta coisa suja não deixa de ser bela. O grande defeito de Brasília é a distância do Recife...
O Recife não passaria de uma cidade violenta e suja, não fora o lirismo que emana. Sou parcial, todos sabem. O lirismo também é parcial, sempre. Meu Recife não é o mesmo de Manuel Bandeira, de Ascenso Ferreira, de João Cabral, Joaquim Cardozo ou Pena Filho; às vezes, nossos Recifes coincidem e os deles continuam a me tocar profundamente. Mas o meu Recife é só meu, surgido das minhas visões, sensações e percepções, surgido da minha vivência. O meu Recife respira cultura, diversidade e cores. O meu Recife soa continuamente, uma melodia que ora embala, ora causa inquietude. O meu Recife fervilha de gente no Mercado de São José, que cheira a temperos fortes, peixes e carnes cruas, couro de chinelas, palha de chapéus e bebidas indefinidas. O meu Recife são os tambores do Antigo, todos os sábados e domingos. O meu Recife é o sol, o mormaço, o suor e a chuva. O meu Recife começa na praia, é cruzado por rios e rodeado de manguezais onde fincaram um antena e cantaram o moderno e o tradicional. Mas o Recife mais propriamente 'meu' é o Recife de minhas referências, das casas que frequentava quando criança, das pessoas que me guiaram e acompanharam por tantos anos... Parti do Recife assim como um retirante, que parte em busca de melhores perspectivas, mas deixando o coração na terra natal e sonhando em voltar um dia, talvez... Ainda não sei se vou voltar em definitivo. Mas para recargas afetivas, definitivamente voltarei.
Sou do Recife com orgulho e com saudades... Recife mandou me chamar, então devo voltar a escrever apenas nas cinzas. Bom Carnaval a todos!
Recomendação de hoje: Evocação do Recife, Manuel Bandeira.

Imagem: Itamaraty, de André Brito, obtida no site do IPHAN.
Barulhos Cotidianos
Não tinha me dado conta da ausência de uma explicação para o nome do blogue... Será necessária? Nem sei se tenho uma justificativa precisa... Em caso de dúvidas, vai lá mais uma tentativa de entendimento...
Um professor de Comunicação Interpessoal, no curso de Mestrado, aplicou certa vez um teste. O objetivo era avaliar como cada aluno assimilava informações, agrupando-os em três grandes grupos: auditivos, visuais e sinestésicos. Não lembro qual foi meu resultado, na verdade. O fato é que, desde sempre, compreendo que há um forte componente auditivo ligado a minha atenção. Por isso a minha dificuldade de concentração em algumas ocasiões... Para estudar, por exemplo - aí, eventualmente, se acrescenta um componente importante, a falta de motivação! Rsrsrs... Enfim, sempre usei de recursos sonoros na tentativa de focalizar minha atenção, quando preciso. No trabalho, ou estudando, costumava ouvir música. Sem os fones de ouvido, qualquer barulhinho me desconcentrava... Telefones, passos, teclados de computador, carros passando, o vento... Não seria de se estranhar, portanto, que sons agradáveis aos meus ouvidos proporcionem uma catarse tão profunda.
Sons fazem parte do meu cotidiano. As músicas que compõem a trilha do meu dia-a-dia, claro, são componentes sonoros mais óbvios. Mas não apenas isso, também os pequenos barulhos que grudam em minha memória, que se atrelam a momentos, e se transformam em memória afetiva... Já tratei aqui dos sotaques; a melodia dos sotaques me atrai. Os barulhos da praia, com seu som de sinos de carrinhos de picolé, do vento passando pelos coqueiros, da água batendo na areia, dos vendedores ambulantes, das crianças correndo... Os barulhos de Carnaval, tantos... Os barulhos do centro do Recife... São grandes peças que o cotidiano orquestra. Todos esses sons ecoando na minha mente, os barulhos que me inspiram, são os alvos das composições traçadas aqui. Desejo falar um dia do componente sinestésico que também me inspira, mas não hoje. Hoje, penso em sons... Imagino quais seriam os sons que povoam vossos ouvidos...?

Imagem: open4downloads.
*Faça o teste, encontrei esse na internet... Não deve ser o mais preciso, mas ao menos é divertido: http://www.mofra.org.br/cgi-mofra/biblio/arq/Documentos/Inf%E2ncia%20%E0%20Juventude/Comemofras/09/2%AAT%E9cnica%20Integra%E7%E3o.doc
Um professor de Comunicação Interpessoal, no curso de Mestrado, aplicou certa vez um teste. O objetivo era avaliar como cada aluno assimilava informações, agrupando-os em três grandes grupos: auditivos, visuais e sinestésicos. Não lembro qual foi meu resultado, na verdade. O fato é que, desde sempre, compreendo que há um forte componente auditivo ligado a minha atenção. Por isso a minha dificuldade de concentração em algumas ocasiões... Para estudar, por exemplo - aí, eventualmente, se acrescenta um componente importante, a falta de motivação! Rsrsrs... Enfim, sempre usei de recursos sonoros na tentativa de focalizar minha atenção, quando preciso. No trabalho, ou estudando, costumava ouvir música. Sem os fones de ouvido, qualquer barulhinho me desconcentrava... Telefones, passos, teclados de computador, carros passando, o vento... Não seria de se estranhar, portanto, que sons agradáveis aos meus ouvidos proporcionem uma catarse tão profunda.
Sons fazem parte do meu cotidiano. As músicas que compõem a trilha do meu dia-a-dia, claro, são componentes sonoros mais óbvios. Mas não apenas isso, também os pequenos barulhos que grudam em minha memória, que se atrelam a momentos, e se transformam em memória afetiva... Já tratei aqui dos sotaques; a melodia dos sotaques me atrai. Os barulhos da praia, com seu som de sinos de carrinhos de picolé, do vento passando pelos coqueiros, da água batendo na areia, dos vendedores ambulantes, das crianças correndo... Os barulhos de Carnaval, tantos... Os barulhos do centro do Recife... São grandes peças que o cotidiano orquestra. Todos esses sons ecoando na minha mente, os barulhos que me inspiram, são os alvos das composições traçadas aqui. Desejo falar um dia do componente sinestésico que também me inspira, mas não hoje. Hoje, penso em sons... Imagino quais seriam os sons que povoam vossos ouvidos...?

Imagem: open4downloads.
*Faça o teste, encontrei esse na internet... Não deve ser o mais preciso, mas ao menos é divertido: http://www.mofra.org.br/cgi-mofra/biblio/arq/Documentos/Inf%E2ncia%20%E0%20Juventude/Comemofras/09/2%AAT%E9cnica%20Integra%E7%E3o.doc
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Tô me guardando pra quando o Carnaval chegar...
Aproveitando a deixa do post mais recente e a proximidade das festividades momescas, inicio mais um rascunho de pensamentos aleatórios com um verso de Chico: "Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar"...
Acho que esta introdução é até injusta, já que não posso falar de Carnaval sem adentrar na temática da cultura pernambucana. Por que iniciar justamente com uma música de Chico, e não com um frevo, uma loa qualquer de lá, onde o mar bebe o Capibaribe...? Bem, essa injustiça será compensada mais adiante. Antes de mais nada, preciso falar dos meus sentimentos - gritar na prosa, ao menos, pois o carnaval ainda não chegou. Imagino que o grito em prosa também tenha algo de libertador; afinal, é um grito que não se esvai em ondas pelo espaço, é um grito com alguma permanência.
Grande parte dos conhecidos, principalmente os não-pernambucanos, estranham o que acreditam ser uma exacerbada animação minha em reação ao Carnaval e suas manifestações. Eis a grande revelação: não é animação. É identidade, é intensidade, impulso, sensação, vivência permeada de cheiros e sons... É a espera de um ano para o reencontro com algo que minha essência contempla... Mas não basta um Carnaval qualquer; reafirmo que guarda relação com identidade, e minha identidade é pernambucana. O Carnaval é um reencontro, e por isso me guardo todos os anos pra quando o Carnaval chegar; por isso louvo a Chico novamente, por poder fazer minhas as suas palavras.

Volto os olhos agora aos Carnavais da menina dos olhos do mar e da cidade patrimônio, as comemorações da terra do frevo e do maracatu. A admiração, a identificação com a cultura pernambucana, especialmente com a cultura do povo - a cultura popular produzida pelo povo, com raízes fincadas nesse terreno, mas sempre em mutação, transfigurando-se - é algo que apreendi de modo espontâneo. Uma busca nascida sem influências marcantes; despertou como uma paixão surgida de algo totalmente desconhecido. Busquei esse amor sozinha, fui levada por uma fascinação inexplicável. Não brinquei muitos Carnavais na infância, não tenho pais foliões, não tive aulas sobre o significado dessas manifestações no colégio. Não sei como começou, mas a entrega foi total e definitiva, o que é um tanto incomum no caso de pessoas relativamente racionais (como considero ser?)...
Desde que iniciei meus dias de foliã, só estive longe de Pernambuco em um único Carnaval. Confesso que a experiência não foi prazerosa. Minha memória afetiva guardava todas as sensações. Os tambores ainda martelavam e trovoavam em meus ouvidos, sua ausência pesava em meus ombros. Os agbês e xequerês bailavam em meus pensamentos, em seu arrastar initerrupto de miçangas. Mãos atadas em cirandas praieiras a dar voltas e mais voltas, ágeis caboclinhos passeando pelas ruas. Caboclos de lança enebriados de azougue - acho que sua pólvora implodia em meu peito, entre o caótico badalar de sinos... Retalhos de lembranças, mais coloridas que fuxicos numa manta sem fim.
Exagero? É, um exagero sincero e perfeitamente compreensível... Mas acho que no Carnaval tudo é exagero. Alegria vira êxtase, transcender para uma realidade nova e repleta de possibilidades... O sol que ilumina as ladeiras de Olinda ao som dos clarins de Momo parece mais brilhante... E finalmente o frevo pode tomar conta das ruas, o ritmo mais refinado e mais popular que conheço. Num eterno diálogo de graves e agudos, de metais que ecoam pela cidade alta, o frevo de rua e o frevo canção emprestam o tom vivaz à festa de Olinda; logo mais, o frevo de bloco pede passagem nas ruas do Antigo, do Recife de tantos Carnavais, e a nostalgia é cantada pelos femininos coros acompanhados dos paus e cordas.

O cenário eclético e aparentemente desconexo do Carnaval pernambucano, expresso numa descrição abstrata - como a presente -, não induz o leitor à compreensão do sentimento de pertinência, da real conexão estabelecida entre mim e cada elemento carnavalístico. Aliás, gosto dessa expressão que adotei recentemente, 'carnavalístico'. Creio que não exista em dicionários, mas me sai mais natural que o termo 'carnavalesco'. Talvez pela conotação tomada por este último, ou talvez por implicância minha, ou por algum tipo de senso de inovação cômico-lúdica... Bem, uso aqui o 'carnavalístico'. Fechando esse parêntesis, prossigo: a conexão carnavalística é intensa e sinestésica, absorve, consome, envolve todos os sentidos. Vez ou outra, surpreende-me a consciência de estar participando de uma experiência plena. Sendo assim, é natural que muitos desses momentos carnavalísticos sejam marcantes e inesquecíveis... O amanhecer no Marco Zero, ao som de um bom samba é um deles. Conversas sobre a teoria do frevo na Praça do Arsenal também compõem belas lembranças. Arrastões percussivos, muitos, e a sensação de estar em meio à bateria, um sentimento de unicidade entre som, corpo e instrumento, ou melhor, entre vários instrumentos que preenchem e criam vazios sonoros. A preparação de fantasias para prévias e Olinda, a criatividade e graça de tantas vestimentas momescas. Os olhares, e tantos outros gestos compartilhados...
Não sei como concluir esse post. Não há um significado, uma simbologia delineada do Carnaval para mim... Concluo com reticências.
Recomendação de Carnaval:
Acho que esta introdução é até injusta, já que não posso falar de Carnaval sem adentrar na temática da cultura pernambucana. Por que iniciar justamente com uma música de Chico, e não com um frevo, uma loa qualquer de lá, onde o mar bebe o Capibaribe...? Bem, essa injustiça será compensada mais adiante. Antes de mais nada, preciso falar dos meus sentimentos - gritar na prosa, ao menos, pois o carnaval ainda não chegou. Imagino que o grito em prosa também tenha algo de libertador; afinal, é um grito que não se esvai em ondas pelo espaço, é um grito com alguma permanência.
Grande parte dos conhecidos, principalmente os não-pernambucanos, estranham o que acreditam ser uma exacerbada animação minha em reação ao Carnaval e suas manifestações. Eis a grande revelação: não é animação. É identidade, é intensidade, impulso, sensação, vivência permeada de cheiros e sons... É a espera de um ano para o reencontro com algo que minha essência contempla... Mas não basta um Carnaval qualquer; reafirmo que guarda relação com identidade, e minha identidade é pernambucana. O Carnaval é um reencontro, e por isso me guardo todos os anos pra quando o Carnaval chegar; por isso louvo a Chico novamente, por poder fazer minhas as suas palavras.

Volto os olhos agora aos Carnavais da menina dos olhos do mar e da cidade patrimônio, as comemorações da terra do frevo e do maracatu. A admiração, a identificação com a cultura pernambucana, especialmente com a cultura do povo - a cultura popular produzida pelo povo, com raízes fincadas nesse terreno, mas sempre em mutação, transfigurando-se - é algo que apreendi de modo espontâneo. Uma busca nascida sem influências marcantes; despertou como uma paixão surgida de algo totalmente desconhecido. Busquei esse amor sozinha, fui levada por uma fascinação inexplicável. Não brinquei muitos Carnavais na infância, não tenho pais foliões, não tive aulas sobre o significado dessas manifestações no colégio. Não sei como começou, mas a entrega foi total e definitiva, o que é um tanto incomum no caso de pessoas relativamente racionais (como considero ser?)...
Desde que iniciei meus dias de foliã, só estive longe de Pernambuco em um único Carnaval. Confesso que a experiência não foi prazerosa. Minha memória afetiva guardava todas as sensações. Os tambores ainda martelavam e trovoavam em meus ouvidos, sua ausência pesava em meus ombros. Os agbês e xequerês bailavam em meus pensamentos, em seu arrastar initerrupto de miçangas. Mãos atadas em cirandas praieiras a dar voltas e mais voltas, ágeis caboclinhos passeando pelas ruas. Caboclos de lança enebriados de azougue - acho que sua pólvora implodia em meu peito, entre o caótico badalar de sinos... Retalhos de lembranças, mais coloridas que fuxicos numa manta sem fim.
Exagero? É, um exagero sincero e perfeitamente compreensível... Mas acho que no Carnaval tudo é exagero. Alegria vira êxtase, transcender para uma realidade nova e repleta de possibilidades... O sol que ilumina as ladeiras de Olinda ao som dos clarins de Momo parece mais brilhante... E finalmente o frevo pode tomar conta das ruas, o ritmo mais refinado e mais popular que conheço. Num eterno diálogo de graves e agudos, de metais que ecoam pela cidade alta, o frevo de rua e o frevo canção emprestam o tom vivaz à festa de Olinda; logo mais, o frevo de bloco pede passagem nas ruas do Antigo, do Recife de tantos Carnavais, e a nostalgia é cantada pelos femininos coros acompanhados dos paus e cordas.

O cenário eclético e aparentemente desconexo do Carnaval pernambucano, expresso numa descrição abstrata - como a presente -, não induz o leitor à compreensão do sentimento de pertinência, da real conexão estabelecida entre mim e cada elemento carnavalístico. Aliás, gosto dessa expressão que adotei recentemente, 'carnavalístico'. Creio que não exista em dicionários, mas me sai mais natural que o termo 'carnavalesco'. Talvez pela conotação tomada por este último, ou talvez por implicância minha, ou por algum tipo de senso de inovação cômico-lúdica... Bem, uso aqui o 'carnavalístico'. Fechando esse parêntesis, prossigo: a conexão carnavalística é intensa e sinestésica, absorve, consome, envolve todos os sentidos. Vez ou outra, surpreende-me a consciência de estar participando de uma experiência plena. Sendo assim, é natural que muitos desses momentos carnavalísticos sejam marcantes e inesquecíveis... O amanhecer no Marco Zero, ao som de um bom samba é um deles. Conversas sobre a teoria do frevo na Praça do Arsenal também compõem belas lembranças. Arrastões percussivos, muitos, e a sensação de estar em meio à bateria, um sentimento de unicidade entre som, corpo e instrumento, ou melhor, entre vários instrumentos que preenchem e criam vazios sonoros. A preparação de fantasias para prévias e Olinda, a criatividade e graça de tantas vestimentas momescas. Os olhares, e tantos outros gestos compartilhados...
Não sei como concluir esse post. Não há um significado, uma simbologia delineada do Carnaval para mim... Concluo com reticências.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Os Homens de Chico
Um grande amigo prometeu-me, certa vez, escrever um artigo sobre mulheres fãs de Chico. O mesmo amigo com o qual compartilho afinidades musicais, incertezas, saudades, e tantas outras coisas, seguindo numa extensa lista - portanto, páro antes de me tornar enfadonha. Aguardei o artigo e, tardando ele a produzir tal texto (o qual seria, certamente, interessantíssimo, dado o perfil do 'autor em potencial'), decidi então escrever eu mesma sobre o tema. O engraçado é que algo desviou-me do objeto principal do tema, as fãs de Chico. Talvez porque imagino que meu amigo, que nem ao menos lembra da promessa, usaria argumentos muito mais convincentes que os meus... Até mesmo porque, sendo eu uma fã de Chico, devo ter uma visão tendenciosa sobre mim mesma... O fato é que o título desse post deveria ser "As mulheres de Chico", mas enquanto digitava, veio a minha mente uma estranha clareza de que escrever sobre os homens de Chico seria mais coerente, não sei ao certo o porquê...

Incontestável a sensibilidade do Buarque, a capacidade de se colocar na posição de uma mulher, com sentimentos e reações femininos, permanecendo, entretanto, um sutil mas irresistível sedutor aos olhos das mulheres. O amigo onipresente em meus testemunhos reforçou essa minha opinião, numa discussão num bar em Olinda, sob o céu estrelado e ao som do Buarque, tomando canas enfeitadas de aromas mil... Discutíamos a letra de "Olhos nos Olhos", discordando dos laços afetivos que, segundo ele, ainda prenderiam aquela mulher ao seu antigo romance. A questão que meu amigo apresentava era: o que impulsionava a mulher a prestar satisfações ao homem, se ela estava 'bem demais'? O quanto estaria ela realmente bem? Concluí que Chico compreende, mas nem todos os homens o conseguem (perdão, meu caro amigo, reconheço sua sabedoria em diversos campos, mas nesse caso sinto que não pôde ler o que passa na alma daquela mulher)...
Bem, seguindo com o raciocínio, creio que um pouco menos comentada, apesar de explícita, é a perspectiva dos homens cantados pelo poeta. A desilusão da moça que quis morrer de ciúmes e quase enlouqueceu é frequentemente lembrada. O causador da desilusão, quem sabe, um homem áspero, indiferente, inconstante ou de pouca confiança... Como tantos outros homens de Chico, de vida vazia e vadia, que param em bares a cada esquina e exalam perfume de cachaça e suor, entre risos e mentiras...
Mas os homens de Chico também têm desilusões, falsos grandes amores, planos e anos roubados por moças que se revelam diferentes. Também são homens reais, guris cotidianos, trabalhadores, mambembes aguardando o Carnaval chegar. Alguns são confiantes, malandros, disputados por suas meninas, e sem ter a quem prestar satisfação, viu?... Apaixonam-se, chamam em silêncio, buscam princesas para coroar, esperam seus amores - uns doentes de tanta saudade, outros sem se afobar...
Para um homem, conseguir compreender a lógica feminina é improvável. Não seguirei a tese de que somos complicadas, não se trata disso. A barreira vem dos sentimentos contrastantes, das expectativas distintas. O que me instiga é como o poeta transita entre esses dois universos, com propriedade e coerência. Aceito e concordo, Chico é diferente de outros compositores por conseguir sentir como ninguém o que sentem as mulheres. Mas os homens de Chico, ah..., o que seriam das mulheres sem eles?

Incontestável a sensibilidade do Buarque, a capacidade de se colocar na posição de uma mulher, com sentimentos e reações femininos, permanecendo, entretanto, um sutil mas irresistível sedutor aos olhos das mulheres. O amigo onipresente em meus testemunhos reforçou essa minha opinião, numa discussão num bar em Olinda, sob o céu estrelado e ao som do Buarque, tomando canas enfeitadas de aromas mil... Discutíamos a letra de "Olhos nos Olhos", discordando dos laços afetivos que, segundo ele, ainda prenderiam aquela mulher ao seu antigo romance. A questão que meu amigo apresentava era: o que impulsionava a mulher a prestar satisfações ao homem, se ela estava 'bem demais'? O quanto estaria ela realmente bem? Concluí que Chico compreende, mas nem todos os homens o conseguem (perdão, meu caro amigo, reconheço sua sabedoria em diversos campos, mas nesse caso sinto que não pôde ler o que passa na alma daquela mulher)...
Bem, seguindo com o raciocínio, creio que um pouco menos comentada, apesar de explícita, é a perspectiva dos homens cantados pelo poeta. A desilusão da moça que quis morrer de ciúmes e quase enlouqueceu é frequentemente lembrada. O causador da desilusão, quem sabe, um homem áspero, indiferente, inconstante ou de pouca confiança... Como tantos outros homens de Chico, de vida vazia e vadia, que param em bares a cada esquina e exalam perfume de cachaça e suor, entre risos e mentiras...
Mas os homens de Chico também têm desilusões, falsos grandes amores, planos e anos roubados por moças que se revelam diferentes. Também são homens reais, guris cotidianos, trabalhadores, mambembes aguardando o Carnaval chegar. Alguns são confiantes, malandros, disputados por suas meninas, e sem ter a quem prestar satisfação, viu?... Apaixonam-se, chamam em silêncio, buscam princesas para coroar, esperam seus amores - uns doentes de tanta saudade, outros sem se afobar...
Para um homem, conseguir compreender a lógica feminina é improvável. Não seguirei a tese de que somos complicadas, não se trata disso. A barreira vem dos sentimentos contrastantes, das expectativas distintas. O que me instiga é como o poeta transita entre esses dois universos, com propriedade e coerência. Aceito e concordo, Chico é diferente de outros compositores por conseguir sentir como ninguém o que sentem as mulheres. Mas os homens de Chico, ah..., o que seriam das mulheres sem eles?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Tudo aquilo que não se pode traduzir...
Decidi retomar meu blog. Sempre pensei em fazer um, mas acho que me faltou tempo, ou inspiração... Minha primeira e única tentativa resumiu-se ao texto abaixo, que republico na intenção de resgatar a coragem pra iniciar a propagação dos sons que habitam minha mente...
"As contínuas escavações musicais sempre me conduzem a descobertas e sensações inesperadas. Isso alimenta minha alma, e me confesso insaciável. A última mina de ouro, gentilmente indicada por uma das raras pessoas que se aproximam da compreensão de minha insanidade musical, apresenta tanta riqueza a ser explorada que temo entrar em algum tipo de transe ou hipnose de longa duração…
Explorando a mina superficialmente, encontro Cartola, Alvorada. Beleza singela… Como explicar Cartola? Como descrever a sensação devastadora de completude? Seria normal que tanta simplicidade provoque reações tão intensas? Sentir a Alvorada nas veias, percorrendo braços e pernas?
Não se trata de idioma. Não. Interpretação e compreensão não dependem da língua, da nacionalidade. Mas temo que não seja possível expressar todo o sentimento implícito em nossos sons a alguém que não os viva, no que não cabe excluir a melodia da língua, ou das ‘línguas portuguesas brasileiras’. Sotaque e expressões, símbolo e significados. Como traduzir o sotaque?
Vejo os múltiplos sons que conheci e aprendi a apreciar como vida, a expressão mais completa, tudo aquilo que não se pode explicar em palavras. Vida. Algo que não posso traduzir em terras tão distantes… A necessidade de expressão da forma completa - pois é através da música que me vejo inteira - se torna inviável. Lacuna.
Mas me alimento. Não posso prescindir do que me traz vida. Refeições solitárias, saudosas daqueles que me acompanhavam no explorar de tais sabores… Sacio minha fome só, só sacio minha fome, e satisfeita aguardo o retorno das antigas ceias acompanhadas, o que não tardará.
Segue a sobremesa… Bom apetite."
http://www.youtube.com/watch?v=mE7FSgvi7aM&eurl=http://www.facebook.com/profile.php?id=679519002
Leeds, 2007 (ou 8...).
"As contínuas escavações musicais sempre me conduzem a descobertas e sensações inesperadas. Isso alimenta minha alma, e me confesso insaciável. A última mina de ouro, gentilmente indicada por uma das raras pessoas que se aproximam da compreensão de minha insanidade musical, apresenta tanta riqueza a ser explorada que temo entrar em algum tipo de transe ou hipnose de longa duração…
Explorando a mina superficialmente, encontro Cartola, Alvorada. Beleza singela… Como explicar Cartola? Como descrever a sensação devastadora de completude? Seria normal que tanta simplicidade provoque reações tão intensas? Sentir a Alvorada nas veias, percorrendo braços e pernas?
Não se trata de idioma. Não. Interpretação e compreensão não dependem da língua, da nacionalidade. Mas temo que não seja possível expressar todo o sentimento implícito em nossos sons a alguém que não os viva, no que não cabe excluir a melodia da língua, ou das ‘línguas portuguesas brasileiras’. Sotaque e expressões, símbolo e significados. Como traduzir o sotaque?
Vejo os múltiplos sons que conheci e aprendi a apreciar como vida, a expressão mais completa, tudo aquilo que não se pode explicar em palavras. Vida. Algo que não posso traduzir em terras tão distantes… A necessidade de expressão da forma completa - pois é através da música que me vejo inteira - se torna inviável. Lacuna.
Mas me alimento. Não posso prescindir do que me traz vida. Refeições solitárias, saudosas daqueles que me acompanhavam no explorar de tais sabores… Sacio minha fome só, só sacio minha fome, e satisfeita aguardo o retorno das antigas ceias acompanhadas, o que não tardará.
Segue a sobremesa… Bom apetite."
http://www.youtube.com/watch?v=mE7FSgvi7aM&eurl=http://www.facebook.com/profile.php?id=679519002
Leeds, 2007 (ou 8...).
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