terça-feira, 27 de abril de 2010

Há vida [noturna] em Maputo

Trouxe livros pra Maputo. Achei que seria um longo período de abstinência etílica, e que a maioria de meus finais de semana seriam dedicados ao estudo da Economia Concursística. Nem foi, nem será. Na verdade, acreditava que seria um tanto improvável fazer amigos de copo por aqui. Ainda bem que me enganei! Em Maputo, há vida. Há noite. Há doses. Há amarula com licor de menta, há drinks surpresa, há rum, vodka, malibu e cerveja, tudo numa noite só. Há música! E há muita coisa ainda por conhecer...

Por ora, conheci um bar chamado Dolce Vitta, bom, bonito e barato. E um 'inferninho' onde rolava reggae e jazz, e talvez mais gêneros que a memória não permita lembrar.

E os concursos vão ficando pra depois... Viver se faz mais importante agora!

Recomendação da vez: Jimi Hendrix Experience. Quer referências? Google it!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O que Narciso acha feio

Há uma coisa que me irrita. Na verdade, não apenas uma, mas esta me ocorreu agora. Acho até que posso ser, em algumas ocasiões, facilmente irritável... Noutras, extremamente paciente. Bem, isso não é relevante no momento. O fato é que me irritam os Narcisos. Principalmente, os velados.

Narciso (1594-1596), por Caravaggio.

Para muitos, aceitar as diferenças é um exercício praticamente impossível - ou, possivelmente, impraticado mesmo. Os Narcisistas explícitos, aqueles que se admiram ao espelho sem pudores e denunciam eles próprios a sua vaidade, não incomodam tanto. Sua presunção é notória, ame-os ou sinta pena. Porém, há pessoas de vida tão vazia que seu maior prazer é a crítica ao outro. O outro, tudo o que não o reflete, tudo o que é diferente. Considero esta uma forma velada de Narcisismo, pois a crítica ao que é distinto implica na aceitação apenas do que é próprio àqueles seres. Cabe esclarecer, não sugiro que tudo deva ser aceito ou admirado. Mas não compreendo aqueles que julgam pelo prazer de julgar, que tecem considerações jocosas, deixando implícito como são perfeitos e belos. Ridículo e irritante.

Não serei hipócrita, por vezes também critiquei e julguei. Mas procuro sempre compreender antes, ver a beleza que há na diferença, em crenças verdadeiras, em estilos de vida distintos do meu. Ridicularizar simplesmente, não me apetece. Qual a graça? Por isso, fujo dos textos de Diogo Mainardi. Também fujo de pessoas de mentalidade preconceituosa, limitada - apesar de saber que todos temos essas características em algum grau, procuro me manter em temperaturas mais amenas. Pessoas pretensamente revolucionárias, rebeldes com tudo que vai além do seu cotidiano, ainda que seu cotidiano seja dinâmico e variado - afinal, o que há de errado com alguma monotonia?

Procuro assimilar o que vejo de positivo nas divergências, no tradicional e no iconoclasta, no feio e na beleza que nele há (pois, frequentemente, há), na fé e em sua ausência, no simples e no complexo, no cotidiano e no extraordinário. Portanto, tento inclusive achar graça de algum leve Nascisismo, velado mas inocente em seus propósitos... Um tanto contraditório, mas possível. Uma pequena dose de Narsicismo é auto-defesa, manutenção da identidade, assume relevância. O que incomoda mesmo é o extremismo, a não aceitação do diverso, principalmente o extremismo encoberto. Para mim, vem à tona, escancarado, cortando olhos e ouvidos.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Notícias do mundo de cá

Mais uma vez, o 'cá' separado do 'lá'. Portanto, novamente, notícias. Boas, muito boas.

Cheguei bem em Maputo, não posso dizer o mesmo da minha câmera digital. Acho que alguém do aeroporto de Johanesburg gostou mais dela que eu. Enfim, ao menos a mala também chegou, com a maioria dos meus bens. Após o contraste entre o aeroporto de Johanesburg e o de Maputo, tentava assimilar tudo o que me aparecia da janela do carro, até a chegada no hotel. Só consegui traduzir após alguns dias: Maputo é uma mistura de Janga e Prazeres... Quem é de Pernambuco talvez entenda o que quero dizer.

Felizmente, estou muito bem instalada num apart, que deve ser o dobro do tamanho da kit onde morava em Brasília. Pena que o apartamento não cabe no avião, penso no trabalho que terei para arrumar moradia assim que voltar...

Mas como a volta será apenas em fins de maio, prossigo o relato. O primeiro fim de semana em Maputo foi agradável, com direito a almoço típico. Serviram-me um creme feito de folhas de mandioca, leite de coco e amendoim, junto a uma moqueca de peixe e um carangueijo gigante. Delícia, pensei na praticidade de degustar um carangueijo sem precisar quebrar minúsculas e estreitas patinhas. Conversei com alguns moçambicanos e brasileiros, pessoas muito agradáveis que fazem parte de uma igreja aqui. A propósito, não imaginava a quantidade de missionários brasileiros nesse país.

Dia seguinte foi dia de trabalho. Dia movimentado na embaixada, reservo-me o direito de não entrar em detalhes... Bem, fui encaminhada ao trabalho consular de assistência a brasileiros, o que me agradou. Afinal, tenho esperanças, quem sabe um dia passo a trabalhar seis horas em Brasília...

Outra grata surpresa decorreu de contatos que uma amiga me passou no país. Inesperadamente, surgiu a oportunidade de conhecer Nelspruit no fim de semana passado, cidade da África do Sul que será sede da Copa do Mundo e fica a umas duas horas de Maputo. Além de conhecer pessoas divertidas e agradáveis, conheci lugares lindos, cavernas e cachoeiras como a da foto abaixo, localizada no Jardim Botânico de Nelspruit.



Aproveitei também pra fazer umas comprinhas e resolver a falta de câmera, já que a South African não respondeu a minha reclamação sobre o furto do equipamento. Portanto, espero continuar a mostrar um pouco da minha experiência do lado de cá. Continuarei com os passeios, as compras de capulanas e artesanato, e quem sabe um pequeno safari...

Aos curiosos: Fotos em http://picasaweb.google.com.br/ddornelasc/Nelspruit?authkey=Gv1sRgCP6sjYnHl4HQZg#

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Matuto em Maputo

Vou danada pra... Maputo, com vontade de chegar...

Fonte: www.henrytrotter.com.

Pois é, aguardei e a viagem saiu. O desafio, encarado com positividade, é presságio de que o amargor de tempos atrás passou. O que sei sobre Maputo não é tanto; li uns guias, vi umas fotos, busquei referências. Pois a moça agora vai a Moçambique, continuar vivendo - e aprendendo - tanto...

Serão 45 dias, contados a partir da próxima segunda-feira, 12 de abril de 2010. Chegarei em Maputo no sábado anterior, e terei tempo suficiente para descansar e sentir os ares da cidade, antes de me apresentar à labuta. Continuo me sentindo como uma matuta no mundo, que se maravilha de coisas ordinárias e sempre tenciona voltar ao lar. O curioso é como o lar se revela por onde passo: vi fotos de Maputo e me lembrei de terras antes navegadas, Nordestes com cheiro de maresia, interiores e suas casas antigas, gente simples nas ruas... Vamos ver se as impressões prévias se confirmarão.

Os próximos posts serão de lá, com as notícias do lado de lá, mais uma vez... Espero que sejam gratas notícias!

Sugestão do dia: Vou danado pra Catende, Ascenso Ferreira (o que me lembra outro matuto)...
http://www.fundaj.gov.br/docs/asce/asce2.html

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia da Verdade

1° de Abril, dia da mentira. E que diferença faz? Deviam instituir o dia da verdade. Imaginem, pânico absoluto! Caos formado. É até difícil sustentar uma mentira, mas manter a palavra e comprometer-se com a verdade... Raro atualmente. Nobre, até. Pouco diplomático, talvez. Pouco inteligente, quem sabe. Porém, não seria preferível ser taxado de burro a se desalinhar com sua consciência e seus valores?

Não condeno definitivamente a mentira. Não há verdades ou mentiras absolutas. Mas acredito que devem haver ao menos questionamentos éticos, ou limites para ambas. Ambas tem igual potencial destrutivo - mas como saber dosar seu uso?...

Sugestão do dia: Na Verdade, Suvaca DiPrata.

A verdade não vem gritando nem faz alarde
Não está à venda em seis vezes sem entrada
A verdade não é a grande novidade
Não vende marcas de cigarro nem bebida
Nem vai abrir em alta na Dow Jones ou Nasdaq
A verdade não está na capa da Playboy
Nos relatórios do MI7 ou da CIA
A verdade não toca no rádio
Não se ouve melhor num sistema de som 5.1
Nem roda bem na versão XP
A verdade não estréia em breve
Num cinema perto de você

A verdade sussurra em seus ouvidos no silêncio
Sem aviso prévio
É indivisível, arcana, natural e sem açúcar
Toca o coração e o espírito
Envelhece com dignidade e com celulite
Trabalha duro das 9h às 19h
E ganha dois salários por mês
A verdade é transmissível pelo beijo
Simples, funciona até em mono
Escaneada dia e noite nos horizontes dos homens