segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Perdas e Ganhos

O último fim de semana foi atípico... Não deveria suscitar tantos questionamentos, mas acho que ainda não me encontro fortalecida o suficiente para encarar as inevitáveis perdas da vida. Somos doutrinados a conquistar sempre mais, preparamo-nos para ganhar, buscamos o aprendizado como meio para alcançar bens e posições... E apenas pensamos nas perdas quando elas já sucederam, temos que lidar com elas à força. Portanto, os danos das perdas irreversíveis são profundos, difíceis de superar. Tenho receio, receio de algumas perdas inevitáveis; em sendo inevitáveis, muito mais do 'Quando' elas ocorrerão...

Será que há alguma forma de preparação para tais perdas? Penso que, quanto mais refletimos sobre elas e tentamos nos precaver, mais antecipamos sua dor, suas angústias... Assim, até mesmo uma simples decisão pode ser penosa, já que escolhas implicam quase sempre em abrir mão de algo. Esse é o dilema dos indecisos, a consciência da perda... Talvez, para os indecisos, as perdas inevitáveis sejam até menos dolorosas - afinal, não dependiam de suas escolhas... As perdas inevitáveis, se improrrogáveis, podem mesmo ser de aceitação um tanto mais suave. Conformar-se é tanto mais complicado quanto maior é a convicção de que a perda poderia ter sido evitada, ou adiada. A cobrança das hipóteses é feroz, apesar de muitas vezes ilógica.

Os que recorrem à fé para superar suas perdas têm a sorte de atribuir o peso da responsabilidade a algo superior, a uma vontade independente da sua, a algo mais forte e incontrolável. Compreendo, admiro tais esperanças. Não sei com que intensidade as tenho, contudo. Apenas sei que muitos de meus insucessos e frustrações foram seguidos de ganhos improváveis, inimagináveis, que o controle do meu destino é sempre mais limitado do que calculava. Até o momento, essa é a única forma que conheço de lidar com as perdas: aceitar, e esperar os ganhos por vir.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Colhendo Clarice

Semana passada, uma amiga adicionou novo aplicativo no 'caralivro'...

Que continue colhendo...

Flores de Clarice Lispector
Colhendo Clarice
Juliana colheu uma flor


"Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."

Deu vontade de escrever, não pela rotina de me ser, mas pela não-rotina de me ser... Viver simbolicamente através das palavras, com todas as flores e os espinhos que a vida traz...

"Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase ´se eu fosse eu´, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR."

Eu-emoção, eu-sentimento... É o que caracteriza cada um em sua individualidade, já que a razão respeita a lógica, finda por uniformizar o pensamento...

"Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."

Dói, eventualmente, sempre...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Barulhos sem inspiração

Muito tempo sem escrever, vim fazer um barulhinho pra não perder o hábito. Ainda meio sem inspiração, na verdade... Escrever por escrever, sem propósito algum, faz sentido?

INSPIRAÇÃO

Se a inspiração pode vir de qualquer coisa, do cotidiano ou do extraordinário, do feio ou do bonito, da plenitude ou do vazio... De onde virá a falta de inspiração? Não ter absolutamente nada a dizer, nada a acrescentar ao que já foi dito... Pode ser decorrente de uma sensação momentânea de satisfação... Mas daí, da satisfação, poderia vir a inspiração também, ou não? Será que a falta de inspiração também pode nascer de qualquer coisa? Bem, até a falta de inspiração pode servir como inspiração, acabo de perceber...

QUALQUER COISA

É, esse papo já tá qualquer coisa! Devo ter tomado muito cafezinho no trabalho, deve ser a única substância entorpecente por aqui. Falando em vícios, a abstinência musical começa a rondar... Meu raidinho (sic) tem tocado as mesmas músicas, minha curiosidade musical adormeceu. Já está despertando, no entanto; muito agradeceria receber dicas e amostras de novos sons. Qualquer coisa.

FIG 2010

Se estivesse em Pernambuco, certamente estaria em Garanhuns, no Festival de Inverno. Esse ano haverá show de Paulinho da Viola, estaria lá e noutros mais... Fez-me lembrar de Paulinho no Reveillón de Boa Viagem, perfeição...

VELHAS NOVAS

Concluo com as novas, pra imprimir alguma utilidade ao texto. Os amigos ficarão contentes em saber que a casa está enfim organizada, os objetivos profissionais estão traçados, tudo aparentemente nos eixos. A casa está uma delícia: rede na varanda, travesseiros macios, equipamentos que me trazem comodidade, cores e flores. Quanto aos objetivos profissionais, esses exigem estudo e dedicação; a trajetória será despretensiosamente iniciada em agosto, com o início do cursinho. Receitas para deixar a preguicinha de lado também serão bem vindas.

No mais, as velhas saudades dos queridos distantes...

Aos amigos de Recife: devo passar por aí em agosto, outubro e dezembro. Quatro casamentos, espero que nenhum funeral... Maceió também entrou no roteiro, melhor pra mim. Mas a programação mais esperada é a de Recife, e a de Olinda. Quero comer uma tapioca na Sé, tomar um caldinho na praia, rever Ed, Mari, Lu e Anny, além dos amigos da SAD... Ah, quero comer uma coxinha de caranguejo no Boteco!

BARULHO DO RAIDINHO


Amigo do Tempo, Mombojó.
Novos barulhos, ainda estou experimentando... Talvez prefira o primeiro álbum mesmo...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Carta a um amigo

xxx,
ou
Meu Caro Amigo,

Escrevo para dizer que está tudo bem, afora as saudades que sinto. Isso mesmo, sem detalhes, a ambiguidade convém. Por aqui, tudo como dantes, tudo morno. Em meio à monotonia, resolvi voltar a ler, mas leitura útil. Tenho buscado uma bibliografia que me permita jogar, lançar os dados, já que a sorte deve andar neste campo. Aproveito o recente espírito misantropo para buscar o conhecimento. Quanto ao auto-conhecimento, acho que a brecha exposta ainda não oferece à vista o alcance do que se passa do outro lado, na outra sala, do lado de dentro. Por ora, talvez seja melhor assim.

Queria notícias suas, saber o que sente. Não por curiosidade, ou por interesse em compartilhar ou interferir. Seria distração, ocupar-me de coisas mais tatéis, menos fugidias. Bem, não é certo que seus sentimentos seriam mais concretos que os meus, quiçá seja melhor permanecer alheia. Falemos então de coisas vãs, que consumam o tempo e alegrem a alma. Ah, mas a distância impede o diálogo... Continuo o monólogo, simples e fraco, com o pensamento nas coisas ordinárias e descomplicadas. O clima hoje, o horário da partida, o encontro de amanhã, o próximo livro, assim prosseguindo. Mas, que pena, o pensamento é tão volátil, voou para acontecimentos passados, momentos estanques na memória. Ao menos, momentos felizes, únicos e verdadeiros. Passados - não, não desejosos de se fazerem presentes, como possa você imaginar. A imaginação, assim como o pensamento, criam e se deslocam sem que os possamos agarrar, desafiando a razão, valsando com as emoções num bailar veloz e poligâmico. Que a imaginação flerte com os sentimentos e emoções em hora oportuna, e caso seu balé nos leve ao equívoco, não será mais que seu movimento cotidiano, não os culpemos.

Amigo, prolongo-me, perdão. Poderia apenas ter dito que está tudo bem. Seria sincera, mas poderias não compreender, o dito é limitado. Divagando expresso mais; se o confundo, apenas transmito minha própria confusão. Alegrar-me-ia uma resposta, seria mais uma distração. Quando novas houver, logo as saberá.

Com amor, um amor sempre sincero e inexato.

DDC.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cicatrizes

"Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal..."



*Composição: Miltinho / Paulo César Pinheiro

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mutante

Após visita ao Itamaraty, a obra entitulada 'transfiguração' inspirou-me a novas mudanças. Bem, o último ano foi de grandes transformações, intrínsecas. Talvez, a indecisão quanto ao design do bloguinho reflita esse estado inconstante.

Espero que a metamorfose seja tal qual a das borboletas, que algo belo e leve seja o resultado.

Barulhinho do raidinho: Apesar do tema da canção não ser bem o assunto de que trato aqui, a coincidência dos títulos das obras veio à mente instantaneamente.

Transfiguração
Cordel Do Fogo Encantado
Composição: Lirinha

A paixão é um mar
Parabólica
Dilatada
Estrada que dói
Encanto de flor
Labirinto
Espera de redes
Parece toda raiz
Só raiz
Quando não canta o trovão
Transfiguração

Com a sua pele sagrada
A sua boca sagrada
E a sua vida no chão

Volta que esse mundo só precisa de você
Volta outro homem nunca assim vai te chamar
Não fique ai enterrada
Não fique ai enterrada
Vem pra rua

Barulhos Irritantes

Gente, alguém gosta do barulho das buzinas e cornetas desta copa????