sexta-feira, 25 de junho de 2010

Carta a um amigo

xxx,
ou
Meu Caro Amigo,

Escrevo para dizer que está tudo bem, afora as saudades que sinto. Isso mesmo, sem detalhes, a ambiguidade convém. Por aqui, tudo como dantes, tudo morno. Em meio à monotonia, resolvi voltar a ler, mas leitura útil. Tenho buscado uma bibliografia que me permita jogar, lançar os dados, já que a sorte deve andar neste campo. Aproveito o recente espírito misantropo para buscar o conhecimento. Quanto ao auto-conhecimento, acho que a brecha exposta ainda não oferece à vista o alcance do que se passa do outro lado, na outra sala, do lado de dentro. Por ora, talvez seja melhor assim.

Queria notícias suas, saber o que sente. Não por curiosidade, ou por interesse em compartilhar ou interferir. Seria distração, ocupar-me de coisas mais tatéis, menos fugidias. Bem, não é certo que seus sentimentos seriam mais concretos que os meus, quiçá seja melhor permanecer alheia. Falemos então de coisas vãs, que consumam o tempo e alegrem a alma. Ah, mas a distância impede o diálogo... Continuo o monólogo, simples e fraco, com o pensamento nas coisas ordinárias e descomplicadas. O clima hoje, o horário da partida, o encontro de amanhã, o próximo livro, assim prosseguindo. Mas, que pena, o pensamento é tão volátil, voou para acontecimentos passados, momentos estanques na memória. Ao menos, momentos felizes, únicos e verdadeiros. Passados - não, não desejosos de se fazerem presentes, como possa você imaginar. A imaginação, assim como o pensamento, criam e se deslocam sem que os possamos agarrar, desafiando a razão, valsando com as emoções num bailar veloz e poligâmico. Que a imaginação flerte com os sentimentos e emoções em hora oportuna, e caso seu balé nos leve ao equívoco, não será mais que seu movimento cotidiano, não os culpemos.

Amigo, prolongo-me, perdão. Poderia apenas ter dito que está tudo bem. Seria sincera, mas poderias não compreender, o dito é limitado. Divagando expresso mais; se o confundo, apenas transmito minha própria confusão. Alegrar-me-ia uma resposta, seria mais uma distração. Quando novas houver, logo as saberá.

Com amor, um amor sempre sincero e inexato.

DDC.

4 comentários:

  1. Carta devolvida por ausência de remetente! kkkkkkkkkkkk!!!

    ps: adorei o formato do novo blog!

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  2. opa, quis dizer, o nobo formato do blog... enfim, vc entendeu!

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  3. Não se aguarda o ocaso em dias nublados, quem o faz permanece na espera cinzenta e a esmo pelos sinais que demarcam as noites felizes.

    Sou do tipo que aguarda o pôr-do-sol, mesmo em dias nublados, às vezes por medo, mas se permanece algo no isto que sou é a esperança.

    Não tenho receitas, não sei o que fazer, já vivi tantos dias nublados, mas em todos a noite quase vazia comportava outra chance de sol. Deve ser a praia.

    Hoje estou assim, sorridente com a noite compartilhada, com o sono recíproco, não foi sempre, não sei se será, mas em cada nova noite guardo a mesma esperança dos dias nublados, que no dia seguinte haverá luz e um pôr-do-sol que merece ser visto.

    O que fará você de seus dias nublados eu não posso dizer, mas no Pina o sol brilha forte.

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  4. Hj entendemos porque o sol brilha forte pra vc!

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