segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Perdas e Ganhos

O último fim de semana foi atípico... Não deveria suscitar tantos questionamentos, mas acho que ainda não me encontro fortalecida o suficiente para encarar as inevitáveis perdas da vida. Somos doutrinados a conquistar sempre mais, preparamo-nos para ganhar, buscamos o aprendizado como meio para alcançar bens e posições... E apenas pensamos nas perdas quando elas já sucederam, temos que lidar com elas à força. Portanto, os danos das perdas irreversíveis são profundos, difíceis de superar. Tenho receio, receio de algumas perdas inevitáveis; em sendo inevitáveis, muito mais do 'Quando' elas ocorrerão...

Será que há alguma forma de preparação para tais perdas? Penso que, quanto mais refletimos sobre elas e tentamos nos precaver, mais antecipamos sua dor, suas angústias... Assim, até mesmo uma simples decisão pode ser penosa, já que escolhas implicam quase sempre em abrir mão de algo. Esse é o dilema dos indecisos, a consciência da perda... Talvez, para os indecisos, as perdas inevitáveis sejam até menos dolorosas - afinal, não dependiam de suas escolhas... As perdas inevitáveis, se improrrogáveis, podem mesmo ser de aceitação um tanto mais suave. Conformar-se é tanto mais complicado quanto maior é a convicção de que a perda poderia ter sido evitada, ou adiada. A cobrança das hipóteses é feroz, apesar de muitas vezes ilógica.

Os que recorrem à fé para superar suas perdas têm a sorte de atribuir o peso da responsabilidade a algo superior, a uma vontade independente da sua, a algo mais forte e incontrolável. Compreendo, admiro tais esperanças. Não sei com que intensidade as tenho, contudo. Apenas sei que muitos de meus insucessos e frustrações foram seguidos de ganhos improváveis, inimagináveis, que o controle do meu destino é sempre mais limitado do que calculava. Até o momento, essa é a única forma que conheço de lidar com as perdas: aceitar, e esperar os ganhos por vir.