sexta-feira, 26 de março de 2010

'Quando falta poesia'...

...ou 'Quando se precisa de colo'...

...ou 'Quando o cansaço toma conta'.

A última semana passou lentamente. Muito lentamente. Planos estagnados, desacertos e desencontros. Sabia, sim, que as indefinições eram passageiras, e que logo tudo seria resolvido. O desgaste, porém, foi inevitável - não por desesperança, mas pela recorrência de acontecimentos desagradáveis.

Nesses momentos, as saudades retornam com intensidade, com voracidade, engolem-nos sem chances de fuga. Senti falta de colo, de cafuné, de compreensão. É normal, todos sentem eventualmente. Uns mais que outros. Minha necessidade de afeto, de afeto verdadeiro, é latente. Sua ausência se faz notar em meu humor, meu comportamento. Em tempo: não me sinto desamada, em momento algum. Sinto-me privilegiada, na verdade; tenho amizades sólidas, amores para toda a vida. Mas a vida reserva-nos encontros e desencontros... Transportei-me para novo ambiente, e venho construindo novos laços, novos encontros maravilhosos.... Mas alguns nós nunca irão desatar. Assim, não falo de desamor, mas de um nó esticado, estrangulado. É falta de colos específicos, do entendimento pelo olhar, do toque que alivia a angústia. Falta de poesia, de sentimento puro. Sentimento puro, corrente. De entendimento, de assimilação por intuição, por emoção. Falta de poesia, de lirismo.

Em meio às decepções, recebi alento de palavras doces - e até mesmo de versos amargos, mas que encheram meu coração de ternura e memórias doces. Palavras de tantos poetas na voz de Maricotinha, que sempre me emociona... Hoje, começo a colocar os planos em execução, e renovo as esperanças de conquistar antigos desejos num futuro próximo.

Assimilando: Mensagem a um Desconhecido, Cecília Meireles. (Um presente de um querido amigo)...

Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.

Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca me tivessem encontrado.

Fevereiro, 1956.

Resgatando a poesia: Maria Bethânia, recitando no MRE.

http://www.youtube.com/mrebrasil

quarta-feira, 17 de março de 2010

Rua dos Bobos, N° Zero

Fonte: Eu.

Nunca vivenciei tão intimamente a Teoria do Caos quanto nos últimos dias... Estive ausente do blogue, decorrência das recentes decisões. Decidi ficar em Brasília. Decidi mudar de apartamento. Decidi procurar um novo lar. O suficiente pra desarranjar meu cotidiano... "Todo dia ela faz tudo sempre diferente..." E o vai e vem nem sempre dá certo.

Imaginava que buscar apartamento daria trabalho, mas, novamente, não contava com o 'fator Brasília'. Negociações inexistentes, exigências exageradas, superdemanda que leva à concorrência às avessas. O primeiro apartamento que achei foi reservado por um casal, perdi a oportunidade. O segundo, parecia perfeito, mas a proprietária desistiu do aluguel para investir na compra de imóvel, aparentemente... O terceiro, foi-me recusado por exigências ilógicas. Sei que todos, ou pelo menos a maioria dos que chegam em Brasília, vivenciam essas dificuldades. Mas preciso desabafar, estou exausta. Sinto-me uma tola, implorando diante de poderosos negociadores, que agem como que fazendo um favor para mim. Nunca deixei uma conta por pagar, nunca dei golpe em ninguém, mas não adianta ter referências. Sou culpada, até que um fiador prove o contrário. Não sei como conseguirei achar uma imobiliária que me aceite como eu sou - ou seja, sem amigos ricos na cidade... Imagino que negociar apenas diretamente com proprietários de imóveis torne minhas opções bem restritas, mas talvez seja a única opção...

Resolvi deixar o mercado me levar, e enquanto a oportunidade verdadeiramente perfeita não surge, providenciar uns 'extras' viajando a lugares um tanto inóspitos. Talvez esteja sendo conduzida por um caminho bem mais acertado, mais certo que as linhas que tentava escrever. Em vários momentos de minha vida, aliás, senti que o destino (ou Deus, atribuamos a quem quisermos) seria melhor escritor que eu... Vamos ver se desta vez ele também leva vantagem.

Recomendação do dia: Esquadros, A.C.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Breve Estória de um Carnaval (ou Flashes Carnavalísticos)

Relato sucinto das desventuras carnavalísticas deste ano.

Quinta-feira, 11 de fevereiro. Calor. Cansaço e sono. Minha personal costureira atazanou-me para fazermos prova e ajustes das fantasias madrugada adentro.

Sexta-feira, 12 de fevereiro. A casa virou um ateliê. Dia inteiro entre linhas, tecidos, tinta e outros insumos. Meu personal marceneiro (ou seria metalúrgico?) deu-me uma mão. Recolhi os visitantes no aeroporto. Perdemos a hora da folia no Antigo. Distribuí as fantasias e acertamos o 'day after'.

Sábado, 13 de fevereiro. Olinda mandou me chamar. Fui, fomos; cerveja, ice, cerveja, ice... Lembro de frevo, samba, maracatu e afoxé. Lembro do 'Acho é pouco'. Lembro de várias consultas psiquiátricas. Ou seria alfabetização solidária?... Lembro do Snoopy pedindo ração etílica. Lembro da perseguição à menina ruiva. Lembro de R$8, dois latões de skol, um chapéu azul e um club social. Esqueci algo?... Noite. Lenine. Algo de Jorge Ben, quase nada. Bebida, nem pensar... Cansaço, casa, sono revigorante. Esqueci algo mais?...

Domingo, 14 de fevereiro. Olinda é insistente. Fomos. Subimos a Misericórdia. Procuramos o 'Enquanto isso...', não achamos. 13 de maio, aperto. Ouvi cantada equivocada, o dente contestou. O dente foi roubado, e nem deixaram um dólar. Corremos pro 'Quanta...', o 'Quanta...' escancarou. Fome, comida. Vontade de dormir, fugir pra casa. Tomei fôlego. Vi a 'Bomba', me ressucitou (sic). (A propósito, lembro agora do esperto do sic em Olinda, no Sábado)... Do Antigo pra casa, cansaço, sono...

Segunda-feira, 15 de fevereiro. Adivinha? Olinda. Lulu, Bolinha e Aninha. Assalto na prefeitura. Doação solidária de amiga da amiga. Sobe ladeira, desce ladeira. Mais ação solidária, dessa vez de cupido. Duplamente? Noite, Arsenal. No caminho, Gerlane, mais inusitado e belo repertório, lembrei do presunto. Pausa para café monumental. Quinteto, e Antonio. Lindo, ainda mais belo. Fim de festa, casa, cansaço, sono, não necessariamente nesta ordem...

Terça-feira, 16 de fevereiro. Olinda melancólica, prévia da quarta-feira ingrata que sempre chega depressa, só pra contrariar. Melindrosas e cafetão, demasiadamente convincentes. Propostas recusadas. Rei das coxinhas. Novamente, 'Acho é pouco'. Cantada desconcertante. Aperto, desencontro, reencontro; coitado do cafetão. Insucesso nos negócios. (Acho que o personagem não combinava com a proposta empreendedora resgatada do Sábado, ou todos já estavam desmonetarizados)... Noite, Antigo lotado. Muita gente, muito cansaço, muito chuvisco, caipifruta de kisuco rejeitada. Elba boa como sempre, Alceu cantou o de sempre. Chegou a quarta ingrata...

Pós-Cinzas. Entre intoxicação alimentar e concurso público, reflexões registradas no post anterior.

Mais que isso, não lembro... Mais breve que isso, não sei fazer...

Sugestão Carnavalística de 2010: Quinteto Violado.

www.quintetoviolado.com.br