WTF, você deve estar pensando! Explico:
maningue é a palavra utilizada por aqui para exprimir intensidade.
Nice, a mania de usar termos em inglês, mesmo existindo equivalente em português. Entrei no clima e iniciei meu texto com um belo
WTF, portanto.
Moçambique tem suas peculiaridades, claro. Quem diria, a famosa camisinha aqui se chama
jeito. Imagino a quantidade de piadas dúbias que isso originaria se fosse no Brasil. Van de transporte alternativo é
chapa - não, não é o termo vulgar para certos aparelhos ortodônticos. Mas eu, particularmente, não me arrisco nas chapas: muito aperto e perfume intenso. Além do táxi, tenho a alternativa do
tuc tuc, aquele que os indianos pegavam naquela novela global... Na verdade, não há muita opção de transporte público, a gente se vira como pode entre caronas e táxi...
Nas feiras, é preciso paciência. Na feira do pau, inúmeros vendedores buscam atenção dos "amigos brasileiros", alegando que seu artesanato é baratinho - nunca é, se o amigo não barganhar. Enquanto fala-se com um, outros dez estão à volta, tentando chamar atenção. Enchendo o saco mesmo. Ah, outra mania dos moçambicanos é chamar as pessoas de pai e mãe. Estranho, um negão com o dobro da minha idade me chamando de mãe... Enfim, a feira é abarrotada de madeira preta e sândalo, osso e marfim, capulanas e seus derivados, artigos em palha e bijouterias em materiais típicos, tudo estendido em esteiras no chão. Uma boa opção de turismo de compras pra quem é perseverante e paciente.
As capulanas estão por toda parte. Mulheres envoltas em panos coloridos feitos de saias, ou carregando seus bebês com os mesmos tecidos amarrados na frente ou nas costas, como um pequeno embrulho com a cabeça de fora. Comprei dezenas, minha costureira me aguarde.
As prateleiras de supermercados estão cheias de produtos importados, inclusive brasileiros. Há supermercados grandes e bem supridos, mas por vezes falta algo mais nobre, como uma lata de leite condensado que preste. E as bebidas... Ice é
spin, a marca da cerveja é
Laurentina. Essas não têm faltado.
Maputo está muito bem servida de restaurantes. Camarões são oferecidos em diferentes tamanhos, junto a outros mariscos (aqui, frutos do mar são considerados todos mariscos). Carnes também não faltam, tudo a preços bem convidativos. A moeda local, o metical, pode render bem se a propensão a gastar for baixa. Moradia, por outro lado, é cara. Ainda bem que não me preocupo com isso. Deixo pra me preocupar com meu lazer, muito mais importante. Por exemplo, além dos restaurantes, há casas noturnas - a maioria simples, mas oferecendo boa diversão quando a trupe é maningue nice. Domingo passado, resolvi me arriscar e ir a um show da Marrom no Coconuts bar.

O lugar é bem legal, mas no show... Aperto e calor, graças a Deus não sofremos com perfumes fortes. Mas o aperto e o calor... Casa lotada - afinal, show de brasileiro é evento por aqui! Mais uma confissão no blogue: para mim, as melhores canções que ela cantou foram as de Cartola e Nelson Cavaquinho. Na saída, um sapo gigante, até agora não entendi o porquê...

Brasileiros, há milhares em Moçambique. Missionários, então, nem se fala. Fora isso, a turma da Vale, da Odebrecht, da Camargo... Meus conterrâneos de país são facilmente identificávis, tá na cara. E nossa música é muito apreciada por aqui. Confissão novamente: não busquei muito da música moçambicana, já que tenho ouvido no rádio algo raro, não sei se pop ou brega. Mas fui a um pequeno show muito bacana, com vocalista espanhola (portanto, não sei se posso considerar música moçambicana). Pena que havia aproximadamente dez pessoas no público, contando comigo.
Espero que tenha conseguido resumir um pouco da minha experiência em Moçambique, e das curiosidades que vi nessas terras. Como sempre, muito bom aprender com as diferenças. Fotos serão adicionadas nesse post, em breve!