Quando me preparava para o vestibular, a long time ago, já tinha certeza do curso que desejava fazer. Fiz Turismo, encantei-me com as possibilidades. Mas já no meio do curso, ficaram claras as restrições que o mercado de trabalho impunham, portanto decidi complementar minha formação com o curso de Administração, que deveria proporcionar maior amplitude de possibilidades de inserção profissional. Bem, de lá pra cá, passei pela organização de eventos, por empresa multinacional em vários áreas - como qualidade comercial, marketing, processos -, resolvi fazer um Mestrado em Marketing Internacional, tentei me alocar através de dez mil processos seletivos para Trainees, mas nada deu muito certo. Meus paradigmas me cegavam até então, já que não via como possibilidade de trabalho a administração pública. Sorte minha que a necessidade se sobrepôs à vontade.
Aqui estou eu, trabalhando num Ministério, ganhando a conta pra pagar as contas. Nada mal, considerando minha situação pré-concursística. Confesso que, às vezes, um gostinho um tanto amargo me vem à boca. Seria interessante realizar algo, atuar com propósitos maiores que a confirmação de recebimento de uma mensagem de e-mail. Estudei muito, e nem sempre por gosto, então é natural certa revolta por atender telefones, ouvir solicitações e reclamações descabidas, lidar com pessoas despreparadas, seguir uma rotina burocrática todo santo dia. Por outro lado, de que adiantaria realizar algo, se para isso tivesse que trabalhar de domingo a domingo, sem descanso, abdicando da vida pessoal e ganhando muito menos... Estou satisfeita. Por enquanto. Mas uma coisa é certa: não pretendo sair do setor público, não mesmo.
O estudo não será à toa, há outras provas para cargos ainda melhores. É questão de tempo. Enquanto isso, tenho aproveitado tudo o que este cargo me proporciona, e sinto que sou, sim, privilegiada. Afinal, foi o trabalho que me trouxe a Maputo, o trabalho que me levou ao encontro de pessoas queridas aqui e em Brasília, e me abriu os olhos para o quão longe posso chegar. O processo de mudança foi duro, mas estou aqui, de peito aberto; continuo com força e coragem pra seguir adiante e provar o que a vida tem a me oferecer.
A propósito, escrevo este post do trabalho.
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